3 de jun. de 2009

Gestão de Pessoas o filme Os Escritores da Liberdade: das resistências estruturais ao approach colaborativo

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Todas as organizações são iguais! Não se enganem! As organizações são feitas de pessoas e as pessoas sempre tem a mesma tendência: não querem fazer algo novo até que o velho se esgote completamente. Pessoas que nasceram sob uma determinada crença e cultura não mudam a não ser que tenham um approach de impacto...

Quer falar de resistência cultural? Veja o caso da General Motors. É o maior exemplo que nós temos na atualidade. Uma corporação de mais de um século imobilizada pelo temor de sua direção (e presidência) de ousar reconhecer que seu modelo de organização era ultrapassado. Os japoneses já batiam as portas de Detroit desde a década de 80! Mas, isso não ocorre somente lá com os gringos não, mas onde há um ser humano (como eu e você) sempre haverá resistências.

Mas, este filme “Escritores da Liberdade” é um show em termos de mudança organizacional com base em um approach de impacto. Este filme começa como todos os tradicionais filmes que mostram a relação entre professor-aluno. Uma professora nova de classe média alta querendo implementar mudanças em um ambiente escolar público de classe baixa. Esse filme nós já vimos antes. Tem uma dezena de filmes com essa temática no mercado. Ela tenta lecionar e encontra resistência por parte dos alunos, por parte da direção da escola e por parte dos próprios colegas. Tudo contra. Nada de novo!

Ela tenta se “aproximar” dos alunos com algo que lhes é familiar: o rap. Nada de novo também! Ela parece aqueles gerentes ou diretores que dizem “a partir de hoje somos uma equipe! A partir de hoje somos uma família!” e quando termina o discurso ele fecha a porta da sala de dele e pergunta para a secretária qual é a agenda dele para hoje. É a chamada conversa para boi dormir ou “para inglês ver”. Todos os dias vemos figuras como essa. Mas, ai é que o filme fica interessante em termos organizacionais. Os alunos reagem e a criticam ferozmente! Claro que isso não ocorre nas organizações! Rs. Mas, o fato é que ela aceita as criticas dos alunos quanto a incapacidade dela de tentar gerir aquela situação educacional crítica. Os alunos batem forte: você não sabe o que passamos, você não sabe nada sobre nós!

Ela aceita a crítica e pergunta: então quero saber. Me falem. Ai entra o que chamamos em gestão de pessoas de approach. O termo significa em português simples “abordagem”. Mas, é mais do que isso. Na aviação approach quer dizer uma forma de proceder que leva em conta muito mais do que é aparentemente sua responsabilidade. É ir além de suas obrigações na observação de uma determinada situação dita crítica. Vou deixar o engenheiro Marco Antonio de Sousa explicar melhor:

Existe um procedimento na aviação, chamado approach, que é exaustivamente ensinado e praticado pelos pilotos nas escolas de formação, através de simuladores, antes de realizarem qualquer vôo. O objetivo é justamente preservar a vida da tripulação e passageiros não só do avião, como de todos os demais que estão manobrando no aeroporto. Ver matéria completa
A professora neste momento ela tem um “approach”. Ela percebe que tem que ir além do planejado. Ela tem que ir além de sua obrigação. Tem que adentrar na vida das pessoas (dos alunos) para conseguir aquela mudança que ela gostaria que acontece somente com a intervenção dela em sala de aula. Ela até agora trabalha com o paradigma “eles querem estudar” ou “eles não querem estudar” e de repente entra um outro: “queremos estudar, mas não sabemos como e parece que você também não sabe”.

Este é o momento em que a liderança e o comprometimento fazem toda a diferença. É neste momento é que se percebe se o líder (baseado na visão de gestão de pessoas) esta comprometido com as pessoas (que geram resultados a médio e longo prazo) ou com os resultados (que não modificam pessoas e geram resultados a curto prazo). Ela bem poderia ter recuado e dado uma prova simples e obtido notas razoáveis para aqueles alunos, mas ela tomou a decisão de ir além do resultado e adentrar fundo nos processos.

A abordagem do tipo approach leva em conta mais do que as conseqüências imediatas de seus atos. Não é só salvar quem esta no seu barco (ou avião), mas olhar ao redor e ver o que seus atos podem produzir em outros ambientes. Esta professora teve este tipo de abordagem naquela situação e os alunos perceberam isso. Este tipo de visão é muito discutido hoje. Em um artigo da Revista Melhor de Gestão de Pessoas chamado “Lição de Casa” se questiona a falta de approach desta geração que cooperou para a série de falências que ocorreu nos EUA.

Segundo Cabrera, as escolas não podem ser totalmente culpadas pela tragédia financeira. Mas o que é claro, na opinião dele, é que as instituições não ajudaram a evitar a desagregação mundial dos sistemas financeiros. "Quando se olha para as teorias e valores de muitos dos presidentes dos bancos falidos, e seus principais executivos, com MBAs, percebe-se que alguns líderes empresariais estão dispostos a justificar tudo por meio da pretensão de satisfazer os interesses dos acionistas, mesmo que isso signifique assumir riscos de consequências sociais devastadoras". Ver reportagem completa
Esta professora então parte para dar somente uma nova visão para estes alunos, pois a abordagem approach exige que você se ponha no lugar do outro. É a chamada alteridade: Dessa forma eu apenas existo a partir do outro, da visão do outro, o que me permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que estou pela experiência do contato. Ver termo completo

A partir desta visão e do conhecimento histórico que ela tem ela encontra um espaço de conexão entre ela e seus alunos hispânicos e negros: sua etnia. Ela para e diz: olha o meu povo também já foi discriminado e perseguido. Ela é judia. Neste ponto de conexão ela leva seus alunos a entender o que é o holocausto através do livro “O Diário de Anne Frank”. Os alunos compreendem essa conexão e praticam também a alteridade. Esta conexão faz com que eles se motivem a reagir ao seu cotidiano e enfrentam seus desafios. Eles agora sabem que outras pessoas em outra época enfrentaram problemas maiores do que o que eles enfrentaram. É essa conexão que eles não tinham. A visita a casa de uma sobrevivente do holocausto fortalece em muito essa conexão levando-os a realmente viver a realidade do outro.

É preciso que os gestores encontrem, dentre de suas próprias organizações, pontos que levem seus funcionários a praticar a alteridade com seus clientes. Se colocar no lugar do cliente que recebe o produto fabricado pela empresa. O que ele faz com o produto? O que agrega na vida dele? É preciso que o colaborador saiba qual o impacto que ele causa na sociedade. A professora demonstrou o impacto que uma criança que decidiu resistir e sobreviver poderia causar na vida das pessoas no futuro. Em um determinado momento os alunos olham e pensam: eu quero ter uma história de vida como a desta mulher. Eles almejam isso e isso os motiva.

E eram os mesmos alunos que estavam detonando a escola a um tempo atrás e sendo "contra o sistema". O que eles não tinham era a conexão que os poderia levar para fora de si mesmo. Eles não tinham um approach adequado e por isso não poderiam estar motivados a mudar. Isso também é um debate para a gestão de pessoas em ambiente escolar (gestão de pessoas nas escolas). É preciso ter um approach e o resultado do approach da professora foi a elaboração coletiva de livros e experiências cotidianas narradas de uma forma pró-ativa que impactaram não somente a comunidade escolar, mas o mundo todo através do filme.
O que nos falta é uma cultura de realmente implementar o conceito de approach. Não julgar o outro previamente nos moldes "quer" ou "não quer", mas sim "quer de outra forma". E qual forma? Preciso ver o mundo como você vê para propor soluções adequadas com base no que eu vejo e, assim avançarmos para um mundo que "nós" vemos...


Aula 1 – GP – A grande questão da moderna Gestão de Pessoas: desenvolver pessoas

Aula 2 – GP – Porque Organizações Inovadoras investem em Gestão de Pessoas?

Aula 3 – GP – A necessidade de superar os conflitos entre funcionários e organização: a idéia do ganha-ganha

Aula 4 – GP – Como gerar um novo contrato entre pessoas e organização: objetivos organizacionais e objetivos pessoais

Aula 5 – Gestão de Pessoas envolve toda a organização: do modelo de negócios aos recursos humanos

Aula 6 – Gestão de Pessoas : integrando e motivando os parceiros da organização

Aula 7 – Gestão de Pessoas: as pessoas como parceiros da organização

Aula 8 – Gestão de Pessoas- das pessoas como recursos para as pessoas como parceiros

Aula 9 – Gestão de Pessoas – Transformando o papel do RH dentro da organização

Aula 10 – Transformando o RH (Recursos Humanos ) em ARH (Administração de Recursos Humanos)

Aula 11 - Transformando o RH (Recursos Humanos ) em ARH (Administração de Recursos Humanos): motivação e satisfação no trabalho

Aula 12 - Transformando o RH (Recursos Humanos ) em ARH (Administração de Recursos Humanos): qualidade de vida e Meio Ambiente (desenvolvimento sustentável)

Aula 13 – Os seis processos básicos de Gestão de Pessoas: agregar pessoas e aplicar pessoas

Aula 14 – Os seis processos básicos de Gestão de Pessoas: processo de recompensar pessoas e processo de desenvolver pessoas

Aula 15 – Os seis processos básicos de Gestão de Pessoas: processo de manter pessoas e o processo de monitorar pessoas.

Aula 16 – Gestão de Pessoas é uma nova forma de abordagem: equipes multidisciplinares

Aula 17 – Gestão de Pessoas: criando um ambiente dinâmico e competitivo através da Gestão de Pessoas

Aula 18 – Gestão de Pessoas: para enfrentar o novo cenário competitivo no mercado globalizado é preciso alterar a estrutura tradicional de organização que é da década de 1950

Aula 19 – Gestão de Pessoas: a evolução do modelo organizacional centralizado para o modelo descentralizado até a década de 1990 – enfatizando a comunicação

Aula 20 – Gestão de Pessoas: o modelo organizacional do século XXI – a ênfase na circulação da informação para a geração de conhecimento.

Aula 21 – Gestão de Pessoas: a diferença entre Gestão de Pessoas do século 21 para o RH do século 20 

2 de jun. de 2009

Gestão de Pessoas: O que é comunicação organizacional

Bom este é um questionário que estou respondendo para uma estudante de Comunicação Organizacional e achei legal compartilhar com os meus colegas internautas.

O que é comunicação organizacional?

É maneira como você transmite uma mensagem dentro de uma determina cultura organizacional. Você precisa conhecer a cultura organizacional para poder desenvolver um processo de comunicação organizacional. Quando um líder pede agilidade em uma empresa como o Google ele quer dizer “crie produtos conectados uns aos outros”, mas quando ele pede agilidade dentro de um hospital ele quer dizer “atenda com calma e segurança o nosso paciente”. Fora destes ambientes organizacionais, no entanto, agilidade quer dizer rapidez. Dependendo da cultura organizacional (e do ramo de atuação é lógico) as palavras tem sentidos muito diferentes e quem trabalha com comunicação tem que saber disso.

Como ela se aplica no meio que vivemos?

Em tudo! De fato, temos a palavra comunicação como elemento central. Ela é o substantivo e o adjetivo é organizacional. Como vivemos em sociedades de organizações (como dizia o velho Peter Drucker) a nossa comunicação passa a ser cada vez mais mediada pela organização. O grande desafio é que as organizações estão cada vez mais sofrendo um processo de intersecção. Elas estão se mesclando cada vez mais. Empresas são compradas, são fundidas, são tornadas parceiras, são fornecedores, são stakeholders, são colaboradores etc. Vivemos em mundo cada vez mais sistêmico e isso exige uma comunicação sistêmica. Ou seja, integrada e integradora de várias organizações.

Qual o grau de importância da comunicação em uma empresa?

A importância é gigantesca. As mudanças em termos de mercados e, conseqüentemente em termos de parceiros, são cada vez mais rápidas. O consumidor hoje é globalizado e tem uma centena de opções de compra e serviços. Cada vez que um processo de comunicação organizacional (comunicação interna e externa) é atravancado esse cliente vai imediatamente olhar para um outro prestador de serviços e se ele constatar que aquela empresa é mais organizada você perdeu o cliente. Sem contar com o efeito cascata onde um consumidor se comunica com o outro “prevenindo-o” desta ou daquela organização. Basta dar uma volta no Orkut ou em portais como “Reclame-aqui “ para atestar a importância da comunicação organizacional. Na internet esse processo é ainda mais agressivo e rápido. A pessoa entra em um portal para ler um artigo e se ela não gostar das primeiras três linhas ela desiste de ler o restante e vai embora. A comunicação tem que ser eficaz...

Sugira em ordem os 10 passos da comunicação empresarial?

Para responder isso vou levar em conta que a comunicação empresarial tem por objetivo não somente agilizar processos internos, mas também criar processos externos de captação, manutenção e expansão da rede de clientes. Então como o foco central é cliente vou delimitar os dez pontos desta forma:

Primeiro: para onde ir –

Segundo: como ir –

Terceiro: com quem ir

Quarto: o que levar

Quinto: o que fazer

Sexto: para quem fazer

Sétimo: o que agregar

Oitavo: como divulgar

Nono: a quem divulgar

Décimo: como vincular

Um profissional dessa área é bem remunerado?

Sim! Mas, o interessante desta área é que não existe especificamente um profissional, mas sim uma pessoa que exerce bem esta atividade. A pessoa que exerce bem esta atividade é bem remunerada e bem requisitada sim.

Qual o seu gral de realização profissional?

O meu é grande! A melhor atividade do mundo é aquela onde você aprende todos os dias. Eu aprendo todos os dias com a minha atividade. Eu lido com diferentes públicos, de diferentes classes sociais, diferentes culturas, diferentes regiões e com diferentes formações. Esta diversidade me garante um aprendizado que serve não só para minha vida profissional, mas para minha vida pessoal também.

Para quem deseja ingressar neste meio, o que você sugere?

Sugiro duas qualidades ou dois objetivos a serem alcançados para quem quer ingressar nesta atividade. A primeira atividade abre o canal e a segunda deixa ele ativo e vigoroso.

Primeiro tem que gostar (ou aprender) de se comunicar. Parece obvio, mas não é. A comunicação é uma via de mão dupla. Você faz um som e tem que ter resposta do outro lado. Às vezes a resposta não é a que você queria, mas geralmente (na esmagadora maioria das vezes) é a que você precisa. Mesmo aquele que quer te “arrasar” (falar mau do seu trabalho) tem algo muito valioso a te acrescentar. É preciso deixar a via de retorno sempre aberta e isso nem sempre é fácil. Por isso a pessoa tem que gostar de se comunicar independente do eco que venha do outro lado. Tem que gostar primeiro do meio (se comunicar) e não se apegar estritamente no fim (ter um excelente retorno). Com isso você passou na primeira etapa.

O segundo é que tem que gostar (ou aprender) de vender. Isso mesmo! Um comunicador é alguém que vende algo: uma idéia, um produto, uma empresa, uma pessoa etc. Muitos confundem informação com comunicação. Uma placa informa alguém, mas uma pessoa comunica. Muitos comunicadores agem como placas de rua: só informam. A informação é impessoal, mas a comunicação é extremamente pessoal. A informação é fria e distante, mas a comunicação é quente e aproxima. Para você saber se esta comunicando ou informando é preciso passar pelo teste de venda. As pessoas só compram aquilo que tem valor e agrega valor para elas. Sem o processo de comunicação isso é impossível de se realizar em sua totalidade.

Se você aprendeu a gostar do meio (se comunicar) agora vai passar a gostar do fim (se comunicar bem). O primeiro permite que você sobreviva na atividade e o segundo permite que você tenha sucesso nela.

A Comunicação Empresarial tem assumido, nos últimos anos, maior complexidade, tendo em vista a necessidade de trabalhar com diferentes públicos (portanto diferentes conteúdos, discursos ou linguagens). Qual seria a maior dificuldade nessa área?

É verdade. O maior desafio hoje é trabalhar a comunicação organizacional em um ambiente onde cada vez mais setores e nichos de mercado tem seus limites cada vez mais imperceptíveis. As parcerias entre corporações crescem no mesmo ritmo em que os públicos se misturam e isso exige um processo de comunicação simples, mas extremamente sofisticado em termos de estrutura. Cada palavra tem que ser bem pensada e contextualizada. Imagem, som e palavras tem que estar sistemicamente conectadas para produzir o efeito esperado.

No meu trabalho eu tenho que receber o feedback do usuário (e-mail, mensagens, votação, recados etc) comparar dados estatísticos de acesso (Google Analytcs) e usar o feeling acumulado (minha percepção) para decidir a respeito das melhores opções de comunicação. E vale lembrar que na era em que vivemos a forma vale mais que o conteúdo. Você pode servir água em um pinico ou em uma jarra de cristal ao seu cliente. A forma (o recipiente) não pode efetivamente alterar o sabor do conteúdo, mas subjetivamente ele (o recipiente) o altera radicalmente no que se refere a visão do cliente.

Esse elemento é extremamente importante em termos de comunicação organizacional e no que se refere a web 2.0 ainda mais determinante. Não foram raros os casos em que pensei estar servindo meu cliente em uma taça de cristal e estava (na visão dele, do receptor) servindo a ele em um pinico. É preciso pensar em termos de comunicação (proximidade com as pessoas, comunicação ativa, quente, pessoal e comprometida) ao invés de em termos de informação (distância, fria, impessoal e descomprometida). Por isso precisamos pensar nas pessoas e nos relacionar com as pessoas, precisamos nos comunicar e não ficar nos informando com tópicos de notícias!