7 de jan de 2013

Aula 01 – Por uma outra globalização: as três globalizações fábula, perversidade e possibilidade




Aula 01 – Por uma outra globalização: as três globalizações fábula, perversidade e possibilidade

Nesta aula vamos entrar realmente no âmago do pensamento do professor Milton Santos. Vamos entender a simplicidade que tornou nosso contemporâneo um dos maiores nomes da intelectualidade contemporânea. Até Milton Santos (claro que outros nomes nacionais e internacionais colaboraram para a emergência deste novo padrão de pensamento o que estamos afirmando aqui e isso categoricamente é que ele foi realmente um marco nesta questão) a grande maioria das análises era feitas de forma antagônica.

Era o chamado maniqueísmo estreito que nos levava a “amar” um estado de coisas e “odiar” outro. Amávamos o capitalismo e odiávamos o comunismo (ou socialismo). Ou vice-versa. As ponderações a respeito das limitações de um ou outro sistema eram vistas como uma verdadeira traição. Alguns poucos ousaram ir para “terceira via” e foram duramente criticados por isso por ambos os lados. Esse tipo de pensamento nos cegava e nos impedia para ver os erros contidos nas nossas próprias alternativas escolhidas. Tanto o capitalismo quanto o comunismo continham vantagens e falhas significativas que comprometia o andamento do sistema como um todo. Como sempre, os menos arrogantes e menos tolerantes as críticas sobreviveram: os capitalistas.

O próprio Delfim Neto já declarou que quem mais contribuiu para o fortalecimento do capitalismo mundial foi seu maior crítico: Karl Marx. Aliás, o maior defensor deste sistema capitalista que hoje impera no Brasil (o próprio Delfim Neto) se orgulha de ter uma das mais completas bibliotecas marxistas da América Latina em sua casa. E os comunistas se orgulhavam de não ler literatura “burguesa”. Mas, voltando a Milton Santos. Nosso colega foi o primeiro a afirmar que havia vantagens significavas a serem aproveitas com a globalização quando a maioria dos intelectuais já estava correndo para demonizar esse processo no qual não enxergavam vantagem alguma, mas apenas miséria, fome, guerra e morte. Claro que estes eventos vieram com a globalização, mas vieram outras coisas também que quando bem aproveitas geram ganhos significativos para a população mundial.

Mas, o professor Milton Santos foi  o primeiro a ver o mundo em 3D. Isso mesmo, ele via o mundo em 3D. Ele conseguiu perceber que não havia simplesmente dominadores e dominados, mas haviam realidades que se processavam simultaneamente gerando um imenso conjunto de possibilidades e probabilidades de mudança. Que essa realidade “maniqueísta” contribuía mais para o “status quo” capitalista do que para a mudança efetiva da sociedade. Com base nesta visão o professor Milton Santos começou a berrar para a intelectualidade nascente “olha o jogo não esta ganho e eles sabem disso. Eles querem nos convencer disso, e isso é a ideologia dominante. Eles não ganharam eles apenas estão conduzindo, mas tudo é possível”. O mundo de possibilidades, sem dúvida alguma, foi o maior legado de Milton Santos. E isso só foi possível quando passamos a entender que não existe uma REALIDADE, mas existem realidades acontecendo, se concretizando e se desfazendo o tempo todo. Não existe, desta forma, UMA GLOBALIZAÇÃO, mas existem várias globalizações...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Acesse meu site e tenha acesso a todos os áudios: www.ubiratangeo.com