14 de jul de 2009

Seminário Milton Santos “Por uma outra globalização”: as possibilidades de um novo mundo

Eu não esqueci dos meus internautas que estão ligados aos conteúdos do professor Milton Santos! Alias, ele tem tudo a ver com esse blog porque através da obra dele que eu percebi a intima integração entre pessoas, técnicas e redes sociais que dão origem ao que chamamos hoje de tecnologia. A tecnologia não é igual a técnica, a tecnologia é o produto da integração entre técnicas de produção (sistema de objetos) e sociedade civil (sistemas de ação). A complexidade da obra de Milton Santos se dá justamente pelo fato de que ele vai contra a maré mundial que afirmava que a técnica por si só conseguiria dobrar o corpo social “escravizando-o” e “dominado-o” para um mundo cada vez mais desumanizado e complexo.



Em parte esse objetivo foi alcançado, mas em parte ele desmoronou também. Muitas corporações aumentaram o ritmo de inovação técnica para “cercar consumidores”, mas em outros casos eles “fracassaram”. Peter Drucker já dizia que o investimento em técnicas não era suficiente para produzir inovação. E neste livro “A Estratégia do Oceano Azul” o autor (Chan Kin) afirma a mesma coisa. Ele cita o caso da Philips e da Motorola que impuseram um ritmo de inovação técnica (achando que era tecnologia) para levar os clientes a um novo “patamar de serviços e produtos”.



Veja o caso do CD-i da Philips, maravilha da engenharia que não ofereceu as pessoas razão suficiente para compra-lo. O player foi promovido como “Máquina da Imaginação”, por causa de suas varias funções. O CD-i era player de vídeo, sistema de música, aparelho de jogo e ferramenta de ensino, tudo num só produto. Contudo suas tarefas eram tão diversificadas que era difícil compreender sua operação. (o que o Milton Santos disse sobre o homem lento?? O homem lento era aquele que demora para incorporar a técnica e atrasava o domínio e avanço corporativo das empresas) (pagina 118)


Os gestores responsáveis pelo CD-i da Philiphs caíram na mesma armadilha: encantaram-se pelos penduricalhos da própria tecnologia. Assim com base no pressuposto de que a alta tecnologia é certeza de grande utilidade para os compradores – premissa que, conforme demonstra a pesquisa raramente é verdadeira. A armadilha da tecnologia criou dificuldades para a Phillips e para a Motorola, volta e meia pega desprevenidas as melhores e mais brilhantes empresas. (pg. 118)


Ai entra o que Milton Santos falou sobre a globalização:


O uso extremado das técnicas e a proeminência do pensamento técnico conduzem a necessidade obsessiva das normas. Essa pletora normativa é indispensável a eficácia da ação. Como, porém, as atividades hegemônicas tendem a centralização, consecutiva a concentração econômica, aumenta a inflexibilidade dos comportamentos, acarretando um mal-estar no corpo social. (pg 36 – Livro Por uma outra globalização)



O que Philiphs queria com esse novo produto (objeto)? Queria criar um padrão para o mercado de players! Com base no padrão (que é sinônimo de patentes e copyrights) ela impõe um capitalismo de monopólio tal como a Microsoft faz! Mas, o que aconteceu com o super produto?? O sistema de ações (a sociedade, o consumidor) o rejeitou! O rejeitou porque era um consumidor consciente da “conspiração corporativa”? Claro que não! O rejeitou porque a maioria dos clientes é “homem lento” em termos de adoção de novas técnicas (isso não é tecnologia). O homem lento só adota novas técnicas quando estas lhe trazem ganho social e por isso os produtos precisar estar ligados a evolução da sociedade e as necessidades essenciais deste homem lento!


Sem objetos casados com os sistemas de ações o espaço não existe, o que existe é paisagem e paisagem é passado não futuro do sistema capitalista. O sistema é dinâmico e esta em pleno entrosamento com a vida social e não a submete assim como as corporações querem fazer pensar. Daí a possibilidade libertadora que as idéias de Miton Santos trazem para o corpo da educação, para o mundo dos empreendedores e para os novos gestores! O mundo não é estático! A globalização não aconteceu, ela esta acontecendo e os “cara maus” estão ganhando porque nossos “garotos” não compreenderam que a partida apenas começou...

Palestra Livro Por uma Outra Globalização: professor Milton Santos Palestra Geografia Livro Por uma outra Globalização: Milton Santos

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Palestra Geografia Livro Por uma outra Globalização: Milton Santos - Presentation Transcript

  1. Palestra Livro Por uma outraGlobalização – Milton Santos
  2. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Fábula Perversidade Possibilidade Introdução: as 3 globalizações
  3. Palestra Livro Por uma Outra Globalização A produção da globalização
  4. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Unicidade técnica
  5. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Convergência de Momentos
  6. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Motor Único
  7. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Cognoscibilidade do Planeta
  8. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Tirania da Informação e do dinheiro
  9. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Competitividade e Globalitarismo
  10. Palestra Livro Por uma Outra GlobalizaçãoDa Política dos Estados à Política das Empresas
  11. Palestra Livro Por uma Outra GlobalizaçãoEspaço geográfico: compartimentação e fragmentação
  12. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Verticalidades e Horizontalidades
  13. Palestra Livro Por uma Outra Globalização Just-in-time cotidiano
  14. Palestra Livro Por uma Outra Globalização O papel dos pobres na globalização
  15. Palestra Livro Por uma Outra GlobalizaçãoGlobalização não é irreversível: o papel do homem lento
  16. Milton Santos: Por uma outra globalização
  17. Palestra 45 minutos emáudio mp3 no meu blog

Um comentário:

  1. SEMINÁRIO IRÁ DEBATER A OBRA DO GEÓGRAFO MILTON SANTOS

    A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira, dia 1º de dezembro, às 14 horas, no Plenário 10 do Anexo II da Casa, um Seminário para debater a obra do geógrafo Milton Santos. A autora do requerimento é a Deputada Lídice da Mata (PSB/BA), com o apoio e a subscrição das Deputadas Maria do Rosário (PT/RS) e Alice Portugal (PcdoB/BA) e dos Deputados Emiliano José (PT/BA) e Ruy Pauletti (PSDB/RS).

    Eis a programação do Seminário

    Expositores e temas:

    1 - Professor Aldo Dantas - UFRN

    Milton Santos - Teoria Geográfica, Globalização e Terceiro Mundo

    2 - Professor Fernando Conceição - UFBA

    Milton Santos - Negro e Intelectual

    3 - Professora Amália Inêz Geraiges de Lemos - USP

    A Obra Revolucionária de Milton Santos

    4 - Professor Edilson Nabarro - UFRGS

    Milton Santos e a Negritude.



    Perfil:

    Apesar de graduado em Direito, Milton Santos é considerado o mais importante geógrafo brasileiro, reconhecimento este que se estende às suas qualidades de intelectual que vão além das fronteiras nacionais.

    Natural do município baiano de Brotas de Macaúbas, Milton Santos, aos 13 anos já dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar geografia. Ingressou na faculdade de Direito e atuou no movimento estudantil, chegando a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

    Em 1948, formou-se pela Universidade Federal da Bahia, mas não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus com o objetivo de lecionar esta disciplina.

    Nesta cidade dedicou-se à atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Retornou para Salvador e tornou-se professor na Faculdade Católica de Filosofia e foi editorialista do "A Tarde", onde publicou diversos artigos de geografia. Em 1958, concluiu doutorado (com a tese "O Centro da Cidade de Salvador") na Universidade Estrasburgo (França).

    Tendo viajado pela Europa e pela África, publicou em 1960 o estudo "Mariana em Preto e Branco". Defendeu com brilhantismo a tese "Os Estudos Regionais e oFuturo da Geografia" na Universidade Federal da Bahia, da qual foi um dos fundadores do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais.

    Com o golpe militar de 1964, Milton Santos foi preso e depois exilado. Como professor convidado lecionou durante três anos na Universidade de Toulouse (França). Na década de 1970 estudou e trabalhou em universidades no Peru, na Venezuela e nos EUA, onde foi pesquisador no Massachusetts of Technology.

    Retornou ao Brasil em 1977, trazendo consigo a obra "Por uma Geografia Nova". Anos depois galga o posto de professor titular da Universidade de São Paulo (USP). Recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrim Lud, considerado "o Nobel da geografia". Foi consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos(OEA).

    Milton Santos acrescentou importantes discussões na geografia, como a retomada da leitura de autores clássicos, além de ter sido um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina numa perspectiva holística.

    Debater e estudar a obra deste que é um dos mais importantes intelectuais do Brasil, homem que não só superou preconceitos de cor e de classe social, mas que também foi pioneiro na análise crítica da globalização e suas conseqüências desiguais para grande parcela da população mundial, é um dever da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados que, com essa iniciativa, visa resgatar e difundir uma obra tão importante e grandiosa.

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