16 – A compreensão do
tempo-espaço e a ascensão do modernismo como força cultural
A velocidade sempre foi o elemento norteador das políticas
que visavam a construção do espaço através do domínio do tempo. Não era apenas necessário
construir o espaço geográfico, mas era preciso construí-lo com “velocidade” a ponto
de sempre criar a sensação de “atraso” nos demais atores sociais. Essa
desigualdade sempre foi motivo de atrito entre as classes sociais e de crises
como as de 1848.
Neste período fica claro que a questão
não é somente construir o espaço geográfico através do domínio do tempo em si,
mas era preciso colocar um ritmo incessante não somente em termos de produção
industrial, mas de transformação social (ritmo das pessoas) porque uma não poderia
se concretizar sem a outra. Para aumentar a produção era preciso aumentar a circulação
de bens de consumo e para aumentar essa circulação era preciso imprimir um
ritmo acelerado na sociedade. O padrão a ser seguido deve ser obedecido e as
diferenças não somente de aceitação (aceitar o não aceitar os padrões impostos),
mas também as diferenças de ritmo (aceito o padrão, mas não consigo seguir o
ritmo das transformações) eram ambos tidos “fora da curva”.
Porque ambos “atrasavam” o progresso “O Estado esmaga o
tempo ao reduzir as diferenças” (248). Ao toque do tambor todos devem remar no mesmo
ritmo para que a nau seja eficiente nas suas manobras e chegue a o destino com
segurança. A desconfiança de alguns filósofos sobre essa produção espacial e ritmo
que ela estava se dando era mais do que clara como bem afirmou Nietzsche sobre
os valores individuais que estavam sendo postos a baixo pela modernidade urbana
“Nietzsche captou o impulso essencial em termos filosóficos em a
Vontade de Poder. O niilismo – condição em que os valores mais elevados se
desvalorizam – esta a nossa porta como os hospedes mais sinistros” (pg 248). Esses “hospedes sinistros”
eram justamente a emergência do efêmero como valor supremo de uma sociedade
onde se vive uma situação onde
“(...) um vir a ser que não conhece saciedade, desgosto
nem exaustão, este é o meu mundo dionisíaco (O Deus grego da loucura, do prazer
sem limites e sem objetivo algum a não ser o prazer momentâneo) do eternamente
autocriado, eternamente autodestruído, este mundo misterioso do dúplice deleite
voluptuoso, meu além do bem e do mal, sem alvo a não ser que o júbilo do
circulo seja em si mesmo um alvo” (pg 249)
Este é o retrato do homem moderno sob a ótica pessimista de
Nietzsche, mas que todavia seria a cópia fiel mais otimista do retrato do homem
na pós-modernidade. Muitos outros filósofos da “resistência” também viam essas transformações
do tempo e, principalmente, do ritmo como uma estratégia que levaria o homem a
uma situação de caos existencial. Outros assumiam essa possibilidade, mas de
uma maneira menos radical entendendo que esse homem pré-moderno ainda poderia
ser revivido no tempo oportuno “na fria cidade moderna assolada
pelo tráfego da régua de cálculo e dos cortiços a pitoresca praça reconfortante
pode despertar lembranças do passado burguês desaparecido. Essa lembrança especialmente
dramática vai nos inspirar a criar um futuro melhor livre do filistéismo e do
utilitarismo” (pg 251)
Tudo indicava que o capitalismo e sua crescente necessidade
de ordenamento levariam a regimes totalitários onde o “controle” e formação de
um “novo homem” formato a partir desta premissa de “organização” era apontada
como o futuro mais promissor para a humanidade. A “régua de cálculo” nazista e
comunista mostraram como seria essa humanidade e apesar da “democracia” ter sido
vencedora diante dos regimes “mais extremos” a “régua” não foi abandonada, mas
usada de maneira menos ostensiva. Diante do caos do sentido do “vir a ser” que
a pós-modernidade colocou o mundo ao substituir esse termo pelo “vir a ter” é
preciso repensar a ideia de “regimes opressores” para muito além do controle do
corpo propriamente dito...
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