15 de nov. de 2019

Livro "A condição pós-moderna: David Harvey : 15 – O tempo e o espaço no projeto do Iluminismo


15 – O tempo e o espaço no projeto do Iluminismo

O Renascimento foi o grande berço da produção conceitual do tempo-espaço. Com um mundo “infinito” a ser explorado era preciso ser cuidadoso ao buscar criar mapas que retratassem não somente o “espaço em questão” (era realmente o mundo infinito? Como representar isso? Era possível chegar a esse feito?), mas também era preciso medir o “tempo” que se levaria para se mover de um lugar a outro. A construção dos primeiros mapas na renascença colocava em xeque não somente o tamanho do mundo (espaço), mas também a questão do tempo...

Por isso o debate foi intenso sobre esses dois temas “a revolução renascentista dos conceitos de tempo e espaço assentou os alicerceis conceituais em muitos aspectos para o Projeto do Iluminismo” (pg 227). Para ser devidamente explorado o mundo não poderia ser “infinito”, mas deveria sim ter “uma medida de espaço e uma medida de tempo” e eram os mapas que apontavam essa finitude e esse enquadramento na lógica do tempo-espaço. O mapa “enquadrava” tudo. Os conceitos de tempo-espaço sempre estiveram no centro do debate “da mesma maneira como o mapa substitui o espaço descontinuamente remendado dos caminhos concretos pelo espaço homogêneo e contínuo da geometria, assim também o calendário substitui por um tempo contínuo, homogêneo e linear o tempo concreto composto por incomensuráveis ilhas de duração que tem, cada qual, o seu próprio ritmo” (pag 230). O mapa (espaço) e cronometro (tempo) são as grandes ferramentas que revolucionaram a produtividade em prol dos grandes impérios capitalistas nascentes...

O poder do conceito (maneira de entender uma determinada realidade ou situação) é visivelmente eficaz para determinar as vantagens da encarniçada luta de classes contemporânea. A burguesia compreendeu mais e tomou proveito desta vantagem aos passar dos séculos “a conquista do controle do espaço requer antes de tudo que concebamos o espaço como uma coisa usável, maleável e, portanto, capaz de ser dominada pela ação humana” (pag 231). E foi justamente essa percepção que a burguesia teve do tempo-espaço em relação a grande capacidade que esses conceitos (vistos do ponto de vista correto) teriam para dominar o território em si. Os pensadores iluministas viam com clareza (a partir dos conceitos já desenvolvidos no Renascimento) que a “produção do espaço” era uma fonte de poder sem igual:

“Os pensadores iluministas começaram a se ver as voltas com todo o problema da “produção do espaço” como fenômeno econômico e politico. A produção dos postos de pedágio, canais, sistemas de comunicação e administração, terras limpas etc, trazia a baila claramente a baila a produção de um espaço de transporte e comunicações. Toda mudança nas relações espaciais produzida por esses investimentos afetava, afinal de contas, de modo desigual, a lucratividade da atividade econômica, levando, por isso mesmo, a uma redistribuição de riqueza e poder. Toda tentativa de democratizar e dispensar o poder político também envolvia um gênero de estratégia espacial. Uma das primeiras iniciativas da Revolução Francesa foi conceber um sistema racional de administração por meio de uma divisão altamente lógica e igualitária do espaço nacional francês em departamentos” (pg 233)

Fica clara a relação entre produção espacial e desigualdade social, todavia essa equação sem os conceitos de tempo e espaço respectivamente...


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