15 – O tempo e o espaço
no projeto do Iluminismo
O Renascimento foi o grande berço da produção conceitual do
tempo-espaço. Com um mundo “infinito” a ser explorado era preciso ser cuidadoso
ao buscar criar mapas que retratassem não somente o “espaço em questão” (era
realmente o mundo infinito? Como representar isso? Era possível chegar a esse
feito?), mas também era preciso medir o “tempo” que se levaria para se mover de
um lugar a outro. A construção dos primeiros mapas na renascença colocava em xeque
não somente o tamanho do mundo (espaço), mas também a questão do tempo...
Por isso o debate foi intenso sobre esses dois temas “a revolução renascentista dos conceitos de tempo e espaço assentou os
alicerceis conceituais em muitos aspectos para o Projeto do Iluminismo” (pg
227). Para ser devidamente explorado o mundo não poderia ser “infinito”,
mas deveria sim ter “uma medida de espaço e uma medida de tempo” e eram os mapas
que apontavam essa finitude e esse enquadramento na lógica do tempo-espaço. O
mapa “enquadrava” tudo. Os conceitos de tempo-espaço sempre estiveram no centro
do debate “da mesma maneira como o mapa substitui o espaço
descontinuamente remendado dos caminhos concretos pelo espaço homogêneo e contínuo
da geometria, assim também o calendário substitui por um tempo contínuo, homogêneo
e linear o tempo concreto composto por incomensuráveis ilhas de duração que tem,
cada qual, o seu próprio ritmo” (pag 230). O mapa (espaço) e
cronometro (tempo) são as grandes ferramentas que revolucionaram a
produtividade em prol dos grandes impérios capitalistas nascentes...
O poder do conceito (maneira de entender uma determinada
realidade ou situação) é visivelmente eficaz para determinar as vantagens da
encarniçada luta de classes contemporânea. A burguesia compreendeu mais e tomou
proveito desta vantagem aos passar dos séculos “a conquista do controle do espaço
requer antes de tudo que concebamos o espaço como uma coisa usável, maleável e,
portanto, capaz de ser dominada pela ação humana” (pag 231). E foi justamente
essa percepção que a burguesia teve do tempo-espaço em relação a grande capacidade
que esses conceitos (vistos do ponto de vista correto) teriam para dominar o território
em si. Os pensadores iluministas viam com clareza (a partir dos conceitos já
desenvolvidos no Renascimento) que a “produção do espaço” era uma fonte de
poder sem igual:
“Os pensadores iluministas começaram a se ver as voltas
com todo o problema da “produção do espaço” como fenômeno econômico e politico.
A produção dos postos de pedágio, canais, sistemas de comunicação e administração,
terras limpas etc, trazia a baila claramente a baila a produção de um espaço de
transporte e comunicações. Toda mudança nas relações espaciais produzida por
esses investimentos afetava, afinal de contas, de modo desigual, a
lucratividade da atividade econômica, levando, por isso mesmo, a uma redistribuição
de riqueza e poder. Toda tentativa de democratizar e dispensar o poder político
também envolvia um gênero de estratégia espacial. Uma das primeiras iniciativas
da Revolução Francesa foi conceber um sistema racional de administração por
meio de uma divisão altamente lógica e igualitária do espaço nacional francês em
departamentos” (pg 233)
Fica clara a relação entre produção espacial e desigualdade
social, todavia essa equação sem os conceitos de tempo e espaço
respectivamente...
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