14 de nov. de 2019

Livro: A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança

Livro: A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural
Autor: David Harvey

Editora: Loyola, 2008
3 – Pós-Modernismo

Os ideais da modernidade (individualismo, antropocentrismo e construção) solaparam os ideais predominantes na Idade Média (coletivo, teocentrismo, devoção) e buscaram construir um mundo “sem Deus”. O próprio homem seria o regente do mundo e faria seu novo cenário segundo a sua própria imagem. No entanto, esse primeiro rascunho não saiu nada parecido com a expectativa que se tinha no início da Idade Moderna. Ao invés de se deparar com uma imagem de progresso que lhes gerasse orgulho, altivez e perspectiva de futuro os homens se depararam com vergonha, medo e falta de perspectiva. Das Guerras Mundiais, ao nazismo, comunismo e Holocausto Nuclear o homem deu-se conta que a evolução das espécies não era ininterrupta e que a ciência e a tecnologia eram limitadas quando se tratava da transformação da natureza humana. Seus sentidos se tornaram confusos, ambíguos, contraditórios e desejos de se expressar na forma da crise de identidade que estava vivenciando...

A modernidade assumiu sua característica de efêmera e transitória como forma inevitável de se contrapor aos valores medievais, mas a pós-modernidade fez delas a sua bandeira de atuação social “o que parece ser o fato mais espantoso sobre a pós-modernidade: sua total aceitação do efêmero, do fragmentário, do descontínuo e do caótico que formavam a metade do conceito baudelairiano de modernidade” (pag 49). A modernidade aceitava a efemeridade e sua característica transitória como um efeito colateral de quem tinha que se opor ao Eterno Deus, mas a pós-modernidade as toma como bandeira e um ideal a ser procurado. Nada deve ser absoluta na sociedade!! Tudo que é absoluto e imutável é imediatamente identificado como fascismo e totalitarismo de forma que o fragmentado é o valor ideal.

O mundo deve ser plural de agora em diante “aceitar a fragmentação, o pluralismo e a autenticidade de outras vozes de outros mundos traz o agudo problema da comunicação e dos meios de exercer o poder através do comando” (pag 54). Cada fração da sociedade deve construir seus valores e símbolos que lhes servem de base para se comunicar com seus “membros”. Cada “tribo” tem, desta forma, sua própria forma de comunicação. A fragmentação torna-se realidade através das diversas formas de comunicação. Uma mesma língua pode ter diversas formas de representação não somente social, mas de grupos culturais. Nada mais deve ser uno “como insistem os pós-modernistas não podemos aspirar a nenhuma representação unificada do mundo nem o retratar como uma totalidade” (pag 55).


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