31 de jul de 2010

Para entender a crise do fordismo: a história se repete com a GM


A crise do fordismo é muito semelhante a crise que as grandes empresas como a GM enfrentam hoje!
Daqui a 50 anos essa crise da GM (e de outras tantas como IBM e Microsoft) vão estar nos livros de TGA. É o que Peter Drucker (um dos pais da administração moderna) afirmava o tempo todo: o gatilho das mudanças no mundo dos negócios não esta na competição entre empresas, mas sim nas mudanças advindas da forma como as pessoas se organização para realizar suas atividades cotidianas (produtivas, familiares, de entretenimento etc).
A crise do fordismo não foi uma crise de produção, qualidade ou lucratividade por unidade (lucro na produção de cada peça), mas uma crise de distribuição (venda). Neste período se percebeu que a grande questão não era apenas produzir com eficiência (a famosa tríade: mão-de-obra barata, matéria prima barata e proximidade dos mercados consumidores), mas sim distribuir (vender) com eficiência crescente. Na medida em que outras corporações de carro (a GM foi uma das pequenas que desbancou a For
d) passaram a entender que para vender mais era preciso ser mais específico (e não de massa como a Ford - parece óbvio, mas não é na medida em que executivos se preocupam mais com a concorrência do que com as mudanças no mercado consumidor (e na sociedade em geral)) e para isso tinham que “entender” o consumidor a coisa começou a mudar.
É neste ponto que Karl Marx arrebenta quando fala que no capitalismo o valor social dos objetos (ai entra Foucault, Milton Santos, Escola de Frankfurt) em um determinado estágio da produção passa a ser maior do que o valor de uso. Ou seja, status (valor social) é maior do que o pragmatismo (valor de cada objeto de acordo com sua função). Ex: um relógio rolex é mais caro do que um relógio Cássio não porque marca a hora melhor, mas porque é um símbolo de status. Um new civic transporta da mesma forma que um gol popular. O valor de uso dos objetos é igualitário (gera igualdade: carro é carro, serve para transporte e pronto), mas o valor social deles gera desigualdade (quem tem new civic é bem sucedido quem tem fusca é peão mesmo que ambos tenham o mesmo valor de uso: transporte).

A GM inovou e acabou desbancando a Ford não pelas inovações reais e técnicas que produziu (os carros da GM não traziam nada tão revolucionário quanto os da Ford), mas inovou ao segmentar o mercado por cores. Cada cor de carro tinha um preço mesmo que fosse do mesmo modelo. Azul era mais caro que o preto, vermelho mais caro que o azul. A GM foi a primeira a criar uma hierarquia dentro do mercado de automóveis (a Ford inovou ao criar uma hierarquia entre quem tinha carro e quem não tinha, mas foi a GM que criou uma hierarquia entre donos de carro através das cores – inicialmente).
A crise do fordismo não foi apenas uma crise de produção, mas uma crise de circulação advinda da sua falta de visão das mudanças que ocorriam na sociedade. Hoje é a própria GM que sofre desta miopia. Não percebeu que ser “ecológico” ser tornou uma questão de status social e não somente de grana. Muitas pessoas tem grana para ter um carro que consome 3 litros de gasolina por quilometro rodado, mas elas querem ser ecológicas (não porque acreditem realmente nisso, mas sim porque é um valor social. Uma pessoa ecológica ou que protege o Meio Ambiente é alguém “legal”). Eles olharam o consumidor americano (viram seu gosto por carros possantes e sua renda) e julgaram que esse consumidor ainda ia querer mustang (muscle car – carros musculosos possantes). E de fato querem, mas também querem ser ecológicos.

Ai vem os japoneses com as SUV (Sport Utility Vehicle) que mesclam a idéia de ecologia, potencia e status social. Mesclam a idéia de uma pessoa que gosta de Natureza (caros v8 com tom de ecologia, logo disfarçado na pele de cordeiro). Isso deu certo! E eles (os japoneses) souberam trabalhar muito bem esse conceito. Os coreanos imitaram tudo dos europeus oferecendo aos classe média o sonho de ter acessórios com preços baixos! A crise da GM hoje é equivalente a crise da Ford (fordismo). Não é apenas uma crise de produção, mas uma crise de visão em relação as mudanças sócias que geram impacto direto nas vendas (circulação). É neste sentido que vc pode ter uma fábrica eficiente em termos de produção (dar lucro por unidade produzida), mas ter um produto que é um fracasso em termos de venda (se não vende não tem como auferir lucro mesmo que esse lucro seja contabilizado na produção.).
Ai reside o perigo de se concentrar demais em baixar os custos da produção sem estar atento as mudanças no mercado consumidor. Como Peter Drucker dizia um negócio (um business) deixar de ser rentável não exclusivamente quando seu lucro por unidade cai dentro do espaço da fábrica, mas quando seu valor social cai no seio da sociedade. Ou seja, quando ele não traz mais benefícios sociais para o seu consumidor!


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