7 de ago. de 2009

Motivação e Liderança em sala de aula II: da autoridade escolar a cultura organizacional como estratégia de conquista dos alunos

Como havíamos comentado no artigo anterior Gramsci abriu as portas do conceito de superestrutura para a esquerda, mas eles estavam tão preocupados em tomar o Estado e as fábricas que esqueceram da Escola. E foi justamente na Escola que a revolução social foi estancada. A escola, em países como os Estados Unidos, se tornou centro de futuros capitalistas. É só ver o número de milionários que saem das Universidades norte-americanas e ver o número de prestadores de concurso que saem das universidades brasileiras.
Nada contra concursos! Eu mesmo vou prestar um agora no final do ano, mas sou contra somente fazer concursos. Isso é problema! Precisamos ir além porque o sistema capitalista nos dá esta oportunidade única agora no começo da revolução da informação. Não sabemos como vai ser mais para frente, mas o fato é que agora temos oportunidades incríveis. Mas, toda a evolução (ou revolução) traz suas mudanças nos outros setores da sociedade. A revolução da informação (e democratização social) solapou a autoridade da escola e do professor. Solapou a autoridade do professor enquanto autoridade punitiva (física e moralmente falando. Lembre-se que temos pessoas de 60 anos que estudaram em escolas onde a palmatória e a violência física era muito usada) e solapou sua autoridade enquanto centro do conhecimento (tirando a enciclopédia somente o professor acumulava conhecimento de maneira rápida e organizada (alguns...rs)).
Somente estas duas mudanças já mudaram todo o cenário da escola e, conseqüentemente, mudaram a vida profissional dos professores. Mas, a perda da autoridade foi compensada (e grande parte dos professores não tomou posso desta compensação social) pela ascensão do conceito de cultura. A revolução da informação detonou o conceito de cultura escolar ampliando tanto seus horizontes que ninguém mais sabia definir o que ela era exatamente. Cada professor estava livre para trabalhar agora. Cada professor poderia operar o que Gramsci tanto falava como elemento central da superestrutura: a visão de mundo (visão social).
Foi dado ao professor essa liberdade, mas sabe o que maioria fez com ela? A entregou ao livro didático! Isso mesmo! Professores, aos montes, buscavam um bom livro didático para usar em sala de aula. Sem uma formação adequada (ou suficiente), perdidos em ideologias e marxismos maniqueístas muitos professores simplesmente se tornaram “críticos”. Sim, se tornaram críticos do sistema. Passaram a criticar tudo. Ter uma visão crítica da sociedade passou a ser um jargão nas ciências humanas. Era preciso se especializar em criticar.
Mas, espera ai os alunos precisam de esperança e perspectiva de vida? Não é? Ahhh, mas eles só poderão ter isso depois que aprenderem a ser críticos da sociedade! Mas, ai eles já saíram da escola e vão estar por conta própria...Ai sabe quem vai dar a visão de mundo para esse aluno? O traficante, o assaltante, o empresário explorador, o sindicalista, o cara do buteco, as empresas terceirizadas, o padre etc. Precisamos urgentemente retomar o conceito de cultura dentro do universo escolar. Não estou dizendo cultura do tipo escola de samba ou saci perere. Estou falando de cultura enquanto organização. Cultura organizacional.
A cultura organizacional é formada por seus valores
éticos e morais, princípios, crenças, políticas internas e externas, sistemas, e clima organizacional. São “regras” que todos os membros dessa organização devem seguir e adotar como diretrizes e premissas para guiar seu trabalho. Cultura pode ser definida como um modelo de suposições básicas que os grupos inventam, descobrem ou desenvolvem com a experiência para enfrentar seus problemas[1]. - Veja o conceito na integra: clique aqui

É disso que estou falando: experiência para enfrentar seus problemas. É desta cultura organizacional que precisamos dentro do universo escolar. Os alunos querem resolver seus problemas! Eles tem pouco aparato familiar (os pais trabalham demais) e buscam isso dentro do universo escolar. É preciso trabalhar mais esse aspecto.

Motivação e Liderança em sala de aula: o papel de liderança do professor tem uma dimensão organizacional e política segundo Gramsci

Muitos professores dizem que trazer “ferramentas” de motivação e liderança para dentro da sala de aula é trazer o capitalismo para dentro da escola. Dizem que é mercantilizar a escolar ou trazer a lógica da empresa para dentro da escola. E eu digo que esses caras estão equivocados tanto em sua visão de “esquerda” quanto em suas leituras de “esquerda”. O problema da liderança e da produtividade intelectual dos alunos em sala de aula (principalmente quando se trata da Escola Pública) é um problema economico sim (produtividade, emprego, salário, promoção social etc), mas é um problema social e político também (violência, drogas, falta de perspectiva, dominação, desagregação). E esta visão não é minha (eu adoto e gosto dela), mas de um dos maiores intelectuais de esquerda do mundo: Antonio Gramsci.

Esse visionário e revolucionário de esquerda percebeu que a esquerda marxista tinha suprimido a dialética do processo político. Como sabem a dialética é a capacidade de trabalhar com contrários a fim de mobilizar as contradições para uma nova situação (síntese). Os marxistas ortodoxos (não sei porque ortodoxos porque os ortodoxos nunca abriram mão da dialética e sim os fundamentalistas ignorantes a respeito do verdadeiro sentido do marxismo) passaram a enxergar o mundo do prisma somente da contradição: capitalismo versus comunismo, trabalhador versus empresário, capitalista versus proletário). Eles não viram que a sociedade norte-americana havia criado uma coisa chamada “sociedade de consumo” onde havia lugar para o trabalhador. O trabalhador não mais estaria excluído da sociedade capitalista (como acontecia no passado) e nem inserido apenas como trabalhador assalariado (como acontecia no passado), mas agora ele seria também uma coisa chamada consumidor. Mesmo a mais excluída das pessoas esta na posição de consumidor: consumidor de bens duráveis, consumidor de carros, consumidor de carne, consumidor de drogas, consumidor de armas, consumidor de violência, de ódio, de medo, de angústia, de depressão etc. O consumo era a ponto que faria as pazes entres os capitalistas e o massa trabalhadora.

Gramsci também disse que a burguesia não somente estava trabalhando arduamente para construir uma estrutura produtiva, mas também estava trabalhando para construir uma coisa que ele chamou de superestrutura. A estrutura é o reino da matéria (produção), mas a superestrutura era o reino das idéias (da ideologia de consumo). Hora tudo isso é um fato hoje. Os alunos são frutos desta superestrutura: são consumistas vorazes, pessoas imediatistas (tem que pensar só no presente para não pensar no futuro e questionar), querem curtir a vida adoidado (pessoas que vivem apenas de sensações em usar muito a razão), imersos em sensualidades (o reino dos sentidos vem através do sexo: Microfisica do Poder – Foucault), adoradores de prestígio social e da moda (Gilles Lipovetsky O Império do Efêmero: a Moda e Seu Destino nas Sociedades Modernas) , pessoas vazias de sentido entre ao entretenimento (Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos; Vida para consumo - Zygmunt Bauman
E como lidar com isso? Como Gramsci via a alternativa de livrar o proletariado (ou a classe média hoje) deste mundo do consumo efêmero e do vazio existencial? Ele disse que já naquele período havia uma classe social capaz de fazer tanto a educação para o sistema hegemônico quanto para fazer uma educação para a libertação: o intelectual orgânico. Este seria o papel do professor dentro da nossa atual configuração social. Hoje a educação é uma atividade para vida toda e mais valorizada do que nunca, no entanto os professores (os intelectuais orgânicos) foram pegos de surpresa no esvaziamento de seus poderes tradicionais (o poder da nota e da instituição) quanto ao que se refere as suas novas atribuições sociais (o poder do conhecimento, do aprendizado continuado). Precisamos rever isso e desempenhar o papel de liderança social. Os alunos esperam isso! Em tempos de desagregação familiar esta liderança fica ainda mais necessária.


Motivação e Liderança em sala de Aula: no processo de formação o professor precisa assumir seu papel de liderança dentro da sala de aula

Me recuso a aceitar a idéia de que o aluno é que precisa estar motivado para assistir a uma aula. A idéia parece agradável, mas esconde por trás disso uma omissão brutal. Ora, aluno são crianças crescidas e não sabem da necessidade do conhecimento em suas vidas. O professor, ao contrário, não somente sabe disso, mas é pago para isso: para dar significado ao conhecimento. Alguns procuram o termo (vídeos para motivar alunos) com boa intenção, mas devem estar cientes de que a responsabilidade de estar motivado é do professor. Mas, estar somente motivado não é o suficiente. O professor, por ser um profissional que trabalha com o conhecimento, deve estar não somente motivado, mas deve ter essa motivação como base de sua vida de forma a se tornar líder para os outros.



Ai entra a questão da liderança. O professor deve não deve não somente estar motivado, mas saber que os alunos esperam que ele seja líder. Os jovens são ousados, mas na maioria dos casos são desorientados. São rebeldes sem causa. Mas, eles não vão adotar uma postura (uma visão ou uma filosofia de vida) que não faz bem nem para aquele que a propaga: o professor. Você adotaria? Você seguiria um evangélico que diz que Cristo liberta e é depressivo? Você seguiria um dono de clínica de recuperação de drogados que seja viciado em cocaína? Você seguiria um político que fala de revolução social e anda de Mercedes? Então como você quer que os alunos sigam um professor que fala que conhecimento traz sucesso na vida (a conversa é: se você não estudar não vai ser ninguém na vida) e ele próprio tem uma postura de fracassado, depressivo e mau humorado...


E mesmo aqueles que não chegam a este extremo entram na sala de aula como se chegassem a um velório? As condições são ruins no Brasil? Pois, você não sabe o que são condições ruins meu caro professor. Muitos colegas nossos, colegas de profissão, mesmo correndo risco de vida e em total descrédito social (não é desvalorizado, é descrédito total) todos os dias põem o pé em uma sala de aula (ou ao ar livre, ou em um muro, ou em uma tenda) para cumprir seu papel de educador. Em países como o Afeganistão a coisa é crítica, mas mesmo assim eles vão e enfrentam toda essa situação porque sabem que a sua função é primordial para que seu país saia da situação de Guerra Civil, de radicalismo fundamentalista, de violência contra as mulheres, de violência contra as crianças etc. E você tem consciência que seu papel enquanto educador pode desencadear (ou suprimir) estas mudanças sociais???







6 de ago. de 2009

Filme Somos Marshall: O mundo caminha para a complexidade, mas nós devemos caminhar para simplicidade

A Teoria de Sistemas diz que o aumento da complexidade gera entropia (Em Física, a entropia de um sistema é uma medida de sua ‘desordem), mas a Teoria da Vida nos diz que o aumento da simplicidade gera eficácia (a capacidade de fazer bem aquilo que nos propomos a fazer). Sendo assim, qualquer pessoa sensata deve fazer um grande esforco na direção da simplicidade. No entanto, o nosso sistema educacional prioriza a complexidade ao invés da simplicidade. Tudo que é muito simples é sem valor, mas o que é complexo (complicado) é valorizado.



Inchamos nossa sociedade com teorias e explicações complexas a respeito do funcionamento da sociedade e do mundo para não encarar o simples fato: se temos problemas temos que resolver. É simples! Encarar o problema de frente e buscar soluções simples e objetivas. Caminhar para a simplicidade! Veja como em “Somos Marshall” essa visão simples da vida leva o treinador a tomar um rumo diferente e ousado em sua vida. A visão administrativa (organizacional, gestão de pessoas, administrativa) do filme “Somos Marshall” vai fazer você entender metaforicamente falando o que estou querendo dizer...










4 de ago. de 2009

Webseminário sobre o filme Somos Marshall: liderança, empreendedorismo e gestão de pessoas

Esse vai ser um seminário e tanto! Um filme excelente (Somos Marshall), um livro base fantástico (Estratégia do Oceano Azul) um sistema operacional (software) fantástico então agora só falta o público, pois o palestrante esta a todo o gás. Eu vou fazer uma vídeo aula explicando como vai ser o seminário via internet! É muito bom! Vocês vão poder acompanhar a tela do meu computador e fazer perguntas a viva voz se tiverem um microfone! Muito bom mesmo o sistema! Enquanto isso fiz um vídeo para vocês ir se atentando para as questões centrais a serem abordadas!