9 de jun. de 2009

Empreendedorismo e a questão da Liderança: para quem não sabe para onde vai qualquer caminho serve

Na vida há princípios básicos na vida que ninguém pode escapar tais como “é preciso comer para poder viver”. Você pode até se rebelar contra esse principio, mas a conseqüência de sua rebeldia vai ser a sua própria morte. Ninguém é obrigado a seguir determinados princípios, mas todos são obrigados a aceitar suas conseqüências. Quem planta vento, colhe tempestade. São coisas deste tipo.

Neste pequeno vídeo “O espermatozóide perdido” temos uma representação clássica da frase que esta no filme “Alice no País das Maravilhas” onde Alice pergunta para o gato a respeito da direção que ela deveria tomar porque ela estava perdida. Ele diz: “Para onde você vai?”. Ao que ela responde: “não sei! Quero ir para um lugar”. Ai o gato displicentemente responde: “vá por aqui, ou por ali, ou aqui, ou acolá, ou mesmo ali”. Alice se irrita e pergunta: “Ora, por favor seja correto comigo. Me aponte um lugar”. Ao que ele responde: “para quem não sabe onde quer ir qualquer caminho serve”. E esse é geralmente o estado de espírito que a maioria das pessoas vive hoje: não sabem para onde querem ir.

Vocês já pararam para pensar que o termo “oportunidade que surgiu” pode ser entendido como um desvio de rota. Por exemplo, eu quero ir para zona Sul e encontro um caminho sem transito, mas que vai me levar para Zona Oeste e eu tomo esse caminho simplesmente porque ele esta mais livre e outro (para zona sul) esta mais congestionado. A primeira sensação é que fui agraciado (abençoado), mas como vou me sentir quando chegar ao destino final? Vou perceber que queria ir para Zona Sul, mas fui parar na Zona Leste. Claro, que cheguei a algum lugar, mas não cheguei no lugar que eu queria. Isso é extremamente perigoso, pois é justamente neste ponto que nossa motivação cai a níveis drásticos. Fazemos as coisas por sobrevivência e não por motivação. É perigoso...

Olhe para esse vídeo do Espermatozóide perdido! Ele é a imagem do cara que se esforça. Ele sai na frente. Ele é tecnicamente superior aos demais. Olha a distancia que ele coloca dos demais concorrentes. Ele é bom! Aliás, ele é bom demais! Mas, ele tem um defeito gravíssimo: não esta seguro para onde vai. Ele não sabe! Ele correu porque viu outros espermatozóides correndo, mas ele não sabe para onde vai. Sua vantagem técnica (conhecimento, dinheiro, influência, poder) não vão valer de nada na hora de prosseguir na jornada. Ele vai se sentir confuso e sozinho. Vai perder a motivação. Vai diminuir o ritmo. Ele vai literalmente parar. Você já pensou que isso pode acontecer com você também...






8 de jun. de 2009

Aula 16 – TGA Mp3 Áudio: Teoria Geral da Administração – Capítulo 3 Princípios da Administração Científica de Taylor – pg64

 

Então continuamos com nossas aulas de TGA. Hoje vamos falar dos princípios da administração científica de forma mais prática. Essa aula é muito importante, pois esse pequeno trecho contém conteúdo para fazer um doutorado! Imagine uma fábrica onde não há processos claros. Onde cada a funcionário esta mais preocupado em colocar a peça no carrinho do que na qualidade ou no cliente que vai comprá-la. O único controle de produtividade existente é um capataz com um chicote na mão que não deixa o operário parar sequer para coçar a sobrancelha.
Quando Taylor entrou no mundo das fabricas era esse o contexto. Hoje podemos ver Taylor como ultrapassado e retrógrado, mas Taylor foi mais revolucionário do que Peter Drucker para sua época. Quando ele estabeleceu os princípios de planejamento, principio de preparo, princípio de controle e principio de execução ele proporcionou um salto de produtividade jamais visto no mundo da produção. Foi a partir deste momento que o patronato percebeu que o operário não era uma mula sem direção, mas elemento chave para o aumento da eficácia e do volume de produção dentro da fábrica.

Principio do planejamento: ele traz a questão da organização em pauta dizendo: “olha não é o operário que tem que arrumar maneiras de produzir mais (naquela época se ganhava por peça produzida), mas sim a direção que tem que encontrar maneiras de melhor organizar o trabalho deles. Eis que surge o administrador, gerente, diretor etc... O objetivo deles é organizar o trabalho. Eis o avô do conceito de administração: “substituir a improvisação pela ciência através do planejamento do método de trabalho” (pg.64)

Principio de preparo: aqui temos o principio do RH Estratégico ou da Gestão de Pessoas. Taylor alerta que a contratação não pode ser feita alheatoriamente. É preciso conhecer o departamento (seção) em que o operário vai trabalhar. Mas, o interessante é que não existiam subdivisões internas nas fábricas então não tinha como saber que tipo de operário era necessário. É a partir deste ponto que a administração passa a se empenhar em saber o que se passa dentro da fábrica e saber quem faz o quê. Podemos dizer sim aqui se inicia a prospecção do que chamamos hoje de setores estratégicos da corporação. O RH estratégico nasce aqui como também a noção de gestão de pessoas: “prepara-los e treina-los para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado” (pg.64)

Principio do controle: o trabalho neste período é medido por peças. Um trabalho não ganhava salário ganhava por produção de peças. Ninguém se importava qual a qualidade do material que esse operário usava ou as condições de trabalho dele. Tudo se operava muito no vazio. Mas, quando Taylor fala de controle é necessário revisar todos estes gargalos da produção. O operário deixou de ser inteiramente responsabilizado e a classe administrativa foi convocada a dar suporte a produção. A idéia do controle denunciava as mazelas da fábrica e expôs a necessidade de uma classe gerencial (classe de administradores). Ele dizia: “a gerencia deve cooperar com os trabalhadores na execução seja a melhor possível” (pg.64). Isso foi revolucionário para a época!

Principio da execução: Esse principio então realmente colocou a classe de administradores em evidencia. Como eu disse o contexto era caótico e os patrões só se preocupavam em deixar os operários ocupados o maior tempo possível para auferir a chamada “mais valia”. Quando Taylor coloca em cheque esse principio e diz que a "mais valia" (Karl Marx) pode estar na forma de se organizar o trabalho (e não na forma de tiranizar o trabalho) há uma quebra de paradigma. Ele afirma: “distribuir atribuições e responsabilidades para a execução do trabalho seja disciplinada”. Ele contesta o principio de que “fazer o trabalhador trabalhar mais é o principio da lucratividade”. A questão era “fazer o trabalhador trabalhar mais eficazmente é o principio da lucratividade”

E detalhe, ele dizia que essa não seria a função do trabalhador. A função do operário era trabalhar e não planejar sua atividade produtiva. Isso era responsabilidade da classe dirigente da fábrica (eu até então era pouca ou inexistente). Para exemplificar peguei dois vídeos do filme “A classe operária vai ao paraíso” que mostram um pouco o cotidiano de uma fábrica já moderna (década de 60 e 70) onde a estrutura para oferecer ao trabalhador uma possibilidade de um trabalho mais eficaz ainda é precária, mas existente. Reparem o homem de jaleco branco passando e a preocupação do operário em “não perder o ritmo da produção”.Ele intimida ao invés de orientar, anota e multa ao invés de perceber e apoiar, ele denuncia ao invés de acolher as reivindicações dos operários.