20 de jun. de 2008

Categorias de Análise na obra a Natureza do Espaço: A técnica em Milton Santos

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Como já dissemos Milton Santos foi um visionário de um tempo em que ele própria não era co-participante. Ele vislumbrou a era da internet sem nunca ter tido acesso efetivo a ela. Mas, ele pode vislumbrar porque compreendeu muito bem a dinâmica que as novas técnicas produziam no espaço: as técnicas se davam em rede e produziam sistemas de ações baseados em sistemas de objetos. Complicado?

Não podemos confundir TÉCNICA com TECNOLOGIA. Milton Santos quando fala de técnicas ele quer dizer tecnologia. A diferença entre técnica e tecnologia é a mesma diferença que há entre inovação e invenção. A invenção é produto de uma dada técnica humana com vistas em resolver um problema que é econômico e social. Mas, nem sempre uma nova invenção se difunde no tecido social e isso a deixa restrita ao conceito de invenção. Agora quando este novo produto técnico tem a capacidade de se difundir no tecido social (ele é aceito pela sociedade que lhe dá um uso e cria interconexão entre pessoas e setores produtivos) ele é chamado de inovação. A inovação é nada mais do que uma invenção com valor social (sistêmico).

Por exemplo, Thomas Edison inventou o fonógrafo.

Ver:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fon%C3%B3grafo.

Esta foi sua invenção! Ele usou uma técnica para inventar sua engenhoca! Ele a destinou para o uso de surdos! No entanto, sua invenção ganhou outros contornos quando o alemão Emil Berliner a transformou no gramofone:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gramofone_(aparelho)

Que então começou a se difundir no tecido social como a chamada “radiola” (vitrola) que depois se popularizou como tocador de discos. Este aparelho foi usado para ouvir música. Ele foi inventado como “aparelho de surdos”, mas ele tornou-se uma inovação como “tocador de música”. Com Thomas Edison era uma invenção (uma técnica foi usada. Técnica isolada dos sistemas de ações sociais não cria impacto sistêmico), mas depois quando esta invenção evoluiu para o gramofone (e depois vitrola) ela se tornou uma inovação (tecnologia, uma aparelho tecnológico (objeto) tem o poder de se difundir pelo tecido social gerando novas ações e novos usos (sistemas de ações)). Daí Milton Santos conceber o espaço geográfico com um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.

A técnica tem o poder de criar novos objetos, mas somente quando estes ganham poder sistêmico (de se unir com outros objetos gerando novas ações) é que eles se tornam tecnológicos. Milton Santos poderia ter usado o termo tecnologia para designar o que ele no seu livro chama de técnica. Mas, ele se justifica afirmando que havia uma grande confusão no que as pessoas chamavam de tecnologia. Ele faz uma crítica aos geógrafos e elogia a posição de Max Sorre quanto ao estudo das técnicas

"Cabe, também, uma referência particular à obra de Maximilien Sorre, o primeiro geógrafo a propor, com detalhe, a consideração do fenômeno técnico, em toda sua amplitude. A sua noção de técnica é abrangente. Para ele, "essa palavra 'técnica' deve ser considerada no seu sentido mais largo, e não no seu sentido estreito, limitado a aplicações mecânicas". Para Sorre, a noção de técnica "estende -se a tudo o que pertence à indústria e à arte, em todos os domínios da atividade humana" (Sorre, 1948, p. 5) A idéia da técnica como sistema já lhe era presente, e da mesma forma, a noção de seu autocrescimento e rápida difusão (1948, pp. 11-12). Ele estava convencido de que o entendimento da relação entre mudança técnica e mudança geográfica era fundamental, sugerindo, então, que os estudos geográficos levassem em conta simultaneamente, as técnicas da vida social, as técnicas da energia, as técnicas da conquista do espaço e da vida de relações e as técnicas da produção e da transformação das matérias -primas (Sorre, 1948, pp. 6-7) Mas Sorre foi pouco seguido pêlos seus colegas geó grafos, mesmo se as suas idéias foram objeto de urna larga aceitação em outras disciplinas. Segundo A. Buttimer (1986, pp. 66 -67), "os geógrafos franceses deram pouca atenção a Sorre: tenderam a vê -lo mais como um geógrafo ortodoxo, verborrágico e talvez inclinado a confundir ciência com filosofia".(A Natureza do Espaço, página 20)

O fonógrafo era apenas uma invenção produzida por uma técnica de produção de Thomas Edison. Com Emil Berliner o fonógrafo ganhou uma característica sistêmica (tocador de música), mas somente como vitrola que este objetos ganhou seu poder sistêmico (de gerar sistemas de ações) e se tornou um objeto tecnológico (sistemas de objeto). A técnica foi a base produtiva, mas a base sistêmica foi dada pela sociedade. Sem uma ideologia de consumo e lazer jamais o fonógrafo ganharia fluidez sistêmica. Daí vamos para a página 204 do livro onde Milton Santos vai falar da tecnosfera (reino da produção técnica) e da psicosfera (reino da produção das idéias sistêmicas (ideologia)): “nosso meio ambiente hoje é constituído só de outras pessoas e de significados. O que chamamos de trabalho é na verdade, a manipulação de signifiados e de outras pessoas” (pg. 204). Abaixo o trecho que fala de psicosfera e tecnosfera.

"Ao mesmo tempo em que se instala uma tecnosfera dependente da ciência e da tecnologia, cria-se, paralelamente, e com as mesma bases, uma psicosfera. A tecnosfera se adapta aos mandamentos da produção e do intercâmbio e, desse modo, frequentemente traduz interesses distantes; desde, porém, que se instala, substituindo o meio natural ou o meio técnico que a precedeu, constitui um dado local, aderindo ao lugar como uma prótese. A psicosfera, reino das ideias, crenças, paixões e lugar da produção de um sentido, também faz parte desse meio ambiente, desse entorno da vida, fornecendo regras à racionalidade ou estimulando o imaginário. Ambas - tecnosfera e psicosfera - são locais, mas constituem o produto de uma sociedade bem mais ampla que o lugar. Sua inspiração e suas leis têm dimensões mais amplas e mais complexas.(pg 172, Natureza do Espaço)

Resumindo: antes que o fonógrafo fosse aperfeiçoado através da tecnosfera e fosse difundido como objeto sistêmico (através da t (se integrasse como objeto sistêmico a rede de produção) já havia uma produção de um sistema de ações com base na psicosfera (um sistema de consumo e lazer já estava sendo produzido). Os grande produtos da nossa era, desta forma, não são invenções técnicas, mas invenções tecnológicas que conseguem se encaixar perfeitamente entre o reino da psicosfera (reino das paixões de consumo) e da tecnosfera (reino da produção (custos, distribuição, legalidade etc). Logo, falaremos do caso da Apple, da Microsoft e outras empresas que foram ou se tornaram sistêmicas!

Quem não tiver o livro “A Natureza do Espaço” é só me pedir que eu envio ele por e-mail! Tenho ele completo na versão atualizada em PDF! Deixe um recado aqui neste tópico!

Palestra O que eu aprendi com o livro Natureza do Espaço - Milton Santos - Parte I 


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Palestra Livro Natureza do Espaço - Milton Santos - Parte I 


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 Palestra Geografia Natureza do Espaço Milton Santos - Presentation Transcript


  1. Palestra Livro A Natureza do Espaço
  2. Ponto 1 – Milton Santos: a evolução da paisagem geográfica para o espaço geográfico Palestra Livro Natureza do Espaço Ponto 2 – As técnicas dentro do conceito de Espaço Geográfico: a revolução da globalização e do capitalismo pós-moderno Ponto 3 – O espaço geográfico: entendendo a relação entre sistemas de objetivos e sistemas de ações
  3. Ponto 1 – A obra de Milton Santos: a evolução da paisagem geográfica para o espaço geográfico Palestra Livro Natureza do Espaço 1 – O Espaço como marco da revolução geográfica: da estática paisagem para a dinâmica do espaço
  4. Ponto 1 – A obra de Milton Santos: a evolução da paisagem geográfica para o espaço geográfico Palestra Livro Natureza do Espaço 2 – A velha geografia de observação da paisagem dá lugar a uma nova geografia de intervenção espacial
  5. Ponto 1 – A obra de Milton Santos: a evolução da paisagem geográfica para o espaço geográfico Palestra Livro Natureza do Espaço 3 – A geografia como uma filosofia das técnicas: a proposta revolucionária de Milton Santos
  6. Ponto 2 – As técnicas dentro do conceito de Espaço Geográfico: a revolução da globalização e do capitalismo pós-moderno Palestra Livro Natureza do Espaço 1 – Não existe técnica, mas sim técnicas: técnicas da vida social, técnicas de produção, técnicas amorosas
  7. Ponto 2 – As técnicas dentro do conceito de Espaço Geográfico: a revolução da globalização e do capitalismo pós-moderno Palestra Livro Natureza do Espaço 2 – A relação dinâmica entre espaço geográfico e as técnicas: a propagação desigual das técnicas
  8. Ponto 2 – As técnicas dentro do conceito de Espaço Geográfico: a revolução da globalização e do capitalismo pós-moderno Palestra Livro Natureza do Espaço 3 – A Idade de um Lugar: um mesmo espaço, várias técnicas e vários tempos empiricizados em uma mesma paisagem geográfica
  9. Ponto 3 – O espaço geográfico: entendendo a relação entre sistemas de objetivos e sistemas de ações Palestra Livro Natureza do Espaço 1 – Os objetivos fixos e os objetos como fluxos: o poder da técnica em criar comunicação entre as coisas
  10. Ponto 3 – O espaço geográfico: entendendo a relação entre sistemas de objetivos e sistemas de ações Palestra Livro Natureza do Espaço 2 – O homem como agente de transformação espacial com vistas no excedente: bem vindo ao capitalismo
  11. Ponto 3 – O espaço geográfico: entendendo a relação entre sistemas de objetivos e sistemas de ações Palestra Livro Natureza do Espaço 3 – Objetos e Ações convergindo dinamicamente e simultaneamente para atender demandas previamente criadas: a relação entre marketing e informação
  12. As ações resultam em necessidades naturais ou criadas. Essas necessidades: materiais, imateriais, econômicas, sociais, culturais, morais ou afetivas é que conduzem os homens a agir e levam funções. Essas funções de uma forma ou de outra vão desembocar em objetos. Realizadas através de formas sociais, elas próprias conduzem à criação e ao uso de objetos, formas geográficas. Assim, podemos dizer que fora do espaço não há realização – Livro Natureza do Espaço – Milton Santos 1995, pg67 Palestra Livro Natureza do Espaço Demanda – o capitalismo pós-moderno é um capitalismo de demanda e essa não pode ser gerada fora do espaço geográfico...
  13. Ubiratan Carlos Machado Editor e professor da Radioblogtv Contato para Palestras: celular (011) 8806 2746 E-mail: radioblogtv@gmail.com.br Meu blog: http://ubiratangeo.blogspot.com/
  14. conectando idéias


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16 de jun. de 2008

Teoria e Método na Geografia: uma questão educacional

A grande questão que sempre passa pela cabeça de um geógrafo é a que diz respeito a finalidade de sua prática profissional. Todos sabemos que o fim primeiro (e não último) de um geógrafo é a sala de aula. O que não é de todo mal! Eu mesmo optei pela sala de aula apesar de também me envolver com outras atividades ligadas a rede. Mas, outros ainda tem saído dos muros da escola e se aventurado em outras áreas mais técnicas ligadas a geoinformação ou mapeamento. No entanto, em todas as áreas somos questionados a respeito da finalidade de nossa atividade!

A falta de visão quanto a isso nos leva, nas próprias palavras de Milton Santos, a pretender ser uma disciplina central, mas a acabar sendo uma disciplina adjunta (quando não auxiliadora) de outras. Sabemos que a geografia tem uma contribuição bem mais significativa quanto ao Meio Ambiente, mas por não termos um método de análise claro que passe dos “achismos” somos relegados a sermos auxiliares de um engenheiro, arquiteto ou urbanista. Todos sabem do que estou falando!

Daí temos que falar sobre teoria e método. A teoria é o que não falta na geografia. Temos centenas delas. Cada um segue uma linha, mas em termos de método a carência é violenta. Partiremos, de principio da importância da teoria e método em sala de aula! Depois avançaremos para outras áreas tendo sempre como norte a obra de Milton Santos. O que é certo é que não podemos mais nos ater apenas a métodos de decoração de lugares, mapas e continentes. Essa ilustração abaixo mostra bem qual tem sido, predominantemente, a visão que os alunos tem sobre o professor de geografia e seu método educacional:



Resenha do livro Por uma Natureza do Espaço: um breve início

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A esmagadora maioria dos geógrafos já ouviu falar sobre Milton Santos! A maioria conhece sobre sua brilhante carreira no exterior como também sua grande contribuição para a ciência geográfica e para outras disciplinas. Todos conhecemos o fato de que Milton Santos foi o que foi porque conseguiu dialogar com outras disciplinas acadêmicas sem perder o vinculo e a consistência da geografia. Alias, é na própria geografia onde este pensador fez a maior revolução em termos de pensamento!


Milton Santos escreveu muitos livros e mais de uma dezena de artigos e publicações, mas todos os seus leitores reconhecem que a revolução conceitual e metodologia da obra deste velho guerreiro da geografia esta contida no livro “A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção”. Este é o livro chave para quem quer realmente compreender a totalidade da obra de Milton Santos e descobrir o que significa o seu método d análise geográfica. Ele mesmo diz na introdução de seu livro qual o legado que pretende estabelecer com a confecção desta obra revolucionária em termos de analise metodológica:

"Aceitarei esta desgraça sem estar demasiadamente afetado, se o leitor lhe quiser solicitar sobretudo uma orientação e um método".

O autor não se propõe a ser “simpático” ou “carismático” com o leitor, mas se coloca na posição de ser “demasiadamente afetado” se o leitor quiser uma orientação e um método. E no demais ele continua:

Nosso desejo explícito é a produção de um sistema de idéias que seja, ao mesmo tempo, um ponto de partida para a apresentação de um sistema descritivo e de um sistema interpretativo da geografia.

Ora quanto a descrição sabemos muito bem o que é, mas e quanto a método: A palavra método vem do grego méthodos, (caminho para chegar a um fim). O método científico é um conjunto de
regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes (Fonte Wikipedia)





Só neste ponto o autor nos chama a velha demanda geografica: qual o fim da geografia? Para que ele serve? Se o método é o caminho para chegar a um fim devemos saber qual o fim que pretendemos? A maioria dos geógrafos não sabe, mas Milton Santos ousou responder esta questão: a geografia estuda o espaço. Um método de análise espacial? Puxa agora viajou de vez! Vamos descrever o espaço então? Calma, ele disse método descritivo e interpretativo. Descrever o espaço geográfico é fácil, mas interpretar com base em um método científico que congregue as diversas variantes de análise é outra coisa! Para fazer isso precisamos ter um objeto que possa servir de alicerce para que diversas outras ferramentas possam se encaixar ai! E eis que vem Milton Santos e afirma:


Como ponto de partida, propomos que o espaço seja definido como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações. Através desta ambição de sistematizar, imaginamos poder construir um quadro analítico unitário que permita ultrapassar ambigüidades e tautologias.

Realmente Milton Santos ousou não somente eleger um objeto de análise geográfico universal, mas também ousou dizer a todos como esse objeto deveria ser analisado! Ele criou um conjunto de ferramentas para isso: verticalidade, horizontalidade, técnicas, sistemas técnicos, local, redes etc. Todos conceitos plenamente aplicáveis no cotidiano...


Vamos trabalhar com cada um deles aqui para depois partir para a leitura da obra que não é tão inatingível como muitos imaginam. A questão é que precisamos estudar as categorias antes...
Palestra Livro Natureza do Espaço - Milton Santos - Parte I 


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Resenha do Livro Por uma outra globalização de Milton Santos: a globalização como possibilidade

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Palestra Livro Por uma Outra Globalização: professor Milton Santos

Palestra Livro Por uma Outra Globalização: professor Milton Santos Palestra Geografia Livro Por uma outra Globalização: Milton Santos