13/08/2008

Gestão de Pessoas x Gestão de Fábrica: Vida de Inseto e Tempos Modernos

Hoje o conceito de Gestão de Pessoas tem sido cada vez mais difundido entre os vários Gerentes de RH (Recursos Humanos) em todo o mundo. No Brasil a revolução gerencial já tem tido início com iniciativas de empresas como Natura e Nutrimental, mas a revolução da Gestão de Pessoas pretende (e tem que...) ser mais profunda!

Hoje uma internauta me enviou um vídeo muito interessante que fazia um comparativo entre a Gestão de uma Fábrica e o processo ideal de Gestão de Pessoas. Para ilustrar o processo tradicional de um RH e de uma gestão “moderna” o autor do vídeo escolheu o filme de Charles Chaplin “Tempos Modernos”. Todos conhecem esse filme que é uma sátira ao processo de gestão organizacional de uma fábrica do século XX (e de muitas empresas no século XXI).

No processo de gestão de RH de uma fábrica do século XX os gerentes (ou melhor, capatazes) tinham uma função bem clara: fazer o trabalhador render o máximo em termos físicos. O gerente de um RH era, como diríamos, um capataz mor. Um capitão do mato moderno (Ver conceito:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capit%C3%A3o-do-mato) que tinha a função de regular a produção na base da coerção física ou psicológica. No contexto da época esta tática era a melhor de todas, pois não havia um número significativo de empresas concorrentes. O que se fabricava vendia-se! O mercado consumidor era uma questão de política governamental e não uma questão de competição entre empresas. Havia reservas de mercado, acordos entre estados, tarifas alfandegárias etc...

Quando vemos Chaplin correr de um lado para outro na esteira de produção vemos um sistema de produção altamente ativo. O lucro não estava na circulação (vender mais para mais pessoas) e sim na produção (produzir mais para um mercado fechado). Quanto mais se produzisse mais se vendia. Neste contexto, onde a lucratividade estava na produção, e claro que as medidas organizacionais visavam aumentar a produção a qualquer custo. O gerente de RH (capitão do mato) tinha esta função de contratar pessoa que se submetessem e capatazes que submetessem os outros. Era simples, porque era um período de produção. O controle era mais importante do que a organização; a produção era mais importante do que a circulação...
Agora voltemos ao século XXI (final do século XX) e vamos ver a extrema mudança. Ai já passamos para o vídeo Vida de Inseto. Ali temos um processo de produção também. São formigas que tem que produzir o máximo possível para gafanhotos. Neste contexto inicial do desenho a questão é a produção. Não adianta uma formiga inovadora tentar fazer mudanças fora de contexto. Os gafanhotos não estão nem ai com a qualidade da produção eles querem é que os trabalhadores (formigas) não tenham tempo para coçar a cabeça e pensar em questionar o controle.

No trecho do filme vemos uma formiga questionadora e inventora. Digo inventora (e não inovadora) porque ele não se encontra em um contexto no qual a produção é voltada para qualidade, circulação e produção. A organização que ele vive é voltada para produção e ponto final. Agora, voltando para a nossa realidade! Hoje temos um sistema capitalista que é totalmente voltado para a circulação (vender mais para mais pessoas). A circulação dita as regras. Nenhuma empresa tem reserva de mercado, nenhuma empresa tem domínio de um determinado nicho de mercado por ação governamental (exceto, Petrobrás e companhia limitada).

Temos centenas de empresas que fabricam calças (e outras dezenas que podem ser adaptadas para tal), mas temos poucas marcas que realmente geram lucratividade. Estas marcas não estão focadas na produção, mas sim em criar moda para ter seus produtos sendo desejados e ter uma circulação crescente (vendas). Estas marcas se tornam símbolos sociais (zoomp, fórum, iodice etc) e tem maior circulação. Elas inovam lançando novos modelos de calça. Elas inovam se organizando para inovação.
De fato, muitas delas terceirizaram a própria fabricação (como a nike) e só trabalham com a gestão de pessoas que geram idéias inovadoras. Daí a ascensão do conceito de Gestão de Pessoas. Este conceito (esta nova forma de gerir) não é um modismo porque ela esta ascentada em necessidades contextuais. Há um contexto produtivo que exige que as empresas sejam voltadas para pessoas. Não é o seu gerente que é bonzinho ou tem uma visão mais progressista a respeito de gerenciamento, mas é o contexto que exige que ele (para ter lucro e sobreviver na arena da competitividade) seja mais “humanizado”.

A Gestão de Pessoas é o eixo mestre (ou mola mestra) da circulação de bens. Sem pessoas para inovarem em termos de organização gerencial não há um processo de circulação de mercadorias eficaz e, sendo assim, o lucro cessa e a empresa esta na via de falir (vai para vinagre como dizem alguns). O bitolamento da atividade produtiva era necessário, mas hoje (com o processo de circulação como mola mestra) o que importa é circular com lucratividade. Isso envolve não somente a inovação (bolar produtos melhores), mas envolve uma gestão organizacional inovadora (bolar constantemente novos produtos e melhores produtos).

A Ford inventou o Ford T e se tornou uma empresa bilionária, mas hoje é preciso mais do que um carro bonitinho (em trocadilho com rosto bonitinho dos atores) para conquistar o mercado. Hoje, na atual forma de produção, o Ford T se manteria no máximo por 6 meses como produto inovador, mas naquele período de produção (não havia outro modelo para comprar) ele se manteve por anos a fio. A revolução da Gestão de Pessoas veio para ficar...







3 comentários:

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  2. Professor gostaria de saber de que livro você retirou a informação do que significa CAPATAZ, pois estou fazendo minha monografia e preciso falar sobre o significado.

    Grata,

    Sandra Machado

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  3. Boa Tarde Sandra! Foi do Livro Gestão de Pessoas de Idalberto Chiavenato!

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