Livro:
Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria
Autor:
Zygmunt Bauman
Editora:
Zahar, 2008 – 190 páginas resumidas em 14 paginas
Introdução:
o segredo bem guardado da sociedade de consumidores
Vale bem apena frisar que esse
livro foi publicado em 2008 ano em que o “MySpace” era o fenômeno do que ainda
não se chamava tão intimamente como hoje de “redes sociais”. No entanto, a
mesma conceituação vale para hoje no que se refere a “efemeridade” (sentido de
ser passageiro) do fenômeno dos sites que atraem pessoas. Eles já nascem com
data para morrer justamente porque as pessoas querem “novidade”. As pessoas
estão ávidas, como em todo tecido social permeado pelo consumo, pelo novo. No
presente momento desta resenha o fenômeno Facebook passa a ser destronado pelo
fenômeno WhatsApp que breve será sucedido por outro e assim vai. Tal como
acontece com filmes, roupas, carros, utensílios domésticos e tudo mais que está
ligado ao mundo do consumo e da circulação. Já neste período ficava evidente a
prática da coleta de dados para formar o “perfil” do consumidor “eles precisam de uma forma para alimentar o banco de dados com todo o
tipo de informação capaz, acima de tudo, de rejeitar os consumidores falhos”
(pag 11)
A ideia de consumo requer
previamente uma seleção onde “os consumidores potenciais” são separados nos
“consumidores não potenciais”. Essa forma utilitarista de entender a realidade
tem sido usada para os mais variados setores da sociedade. No processo de
migração de países para países o “processo seletivo” é uma premissa comum e
abertamente praticada onde “a origem”, “etnia” ou “nacionalidade” conta muito
menos do que o seu “potencial produtivo” como afirmam as próprias autoridades “a imigração seletiva é praticada por quase todas as democracias do
mundo. A França deve ser capaz de escolher seus imigrantes segundo as nossas
necessidades” (12).
Essa foi a declaração de Nicolas Sarkozy, presidente da França (país da
famosa declaração: igualdade, fraternidade e liberdade) e obviamente um
imigrante. A afirmação categoria de “escolher” é própria de um consumidor que
escolher os frutos “mais atraentes”.
Essa forma de pensar que se
expressa na forma de uma linguagem repetitiva no cotidiano que passa a permear
o tecido social é vista em inúmeros ambientes. Até nos ambientes onde a técnica
(e não a estética) deveriam imperar o apelo “pelo produtivo atraente” é
manifesto “as pessoas em busca de trabalho precisam ser
adequadamente nutridas e saudáveis, acostumadas a um comportamento disciplinado
e possuidoras de habilidades exigidas pelo trabalho que elas buscam” (pg 15).
A questão da estética para a selecionadora parece ter uma relevância maior do
que a capacidade técnicas destas pessoas de exercer sua atividade. A forma de
contração acompanha a visão de que o funcionário é uma mercadoria que não tem
vontade, direitos e expectativas próprias. No Vale do Silício a expressão
“funcionário chateação zero” é muito utilizada e define bem essa relação “um empregador “pontocom” pode comentar, com a aprovação do empregado:
ele é um “chateação zero” querendo dizer que ele está disponível para assumir
atribuições extras, responder a chamados de emergência ou ser realocado a
qualquer momento” (pg 17).Essa forma de se referir a pessoas
“como meros objetos” se tornou tão comum extrapolou do ambiente “profissional”
(se é que se pode chamar essa relação de profissional) para o próprio ambiento
da vida privada segundo Po Bronson, pesquisador da cultura corporativa no Vale
do Silício nos EUA.
“Morar a alguma distancia do Vale do Silicio e ou carregar o peso de
uma mulher ou filho aumentam o coeficiente de “chateação” e reduzem as chances
de emprego do candidato. Os empregadores desejam que seus futuros empregados
nadem em vez de caminhar e pratiquem surf ao invés de vôlei. O empregado ideal
seria uma pessoa sem vínculos, compromissos ou ligações emocionais anteriores e
que evite estabelece-los agora; uma pessoa pronta a assumir qualquer tarefa que
lhe apareça” (pg 18)
Literalmente pode se considerar a
quebra do “público e do privado” na medida em que a pessoa como um todo é
considerada uma mercadoria o que dá o direito do “contratante” definir certos
paramentos do “contratado” segundo seus próprios gostos individuais. O
empregado é visto como uma mercadoria e como tal só é possível consumir se
atenda “as expectativas” do empregador em todos os sentidos. Para se ter “um
emprego dos sonhos” no Vale do Silício e se tornar um indivíduo respeitável na
sociedade (ohhh, eu trabalho no Vale do Silício com empresas pontocom) é
preciso antes virar mercadoria na prateleira “na sociedade dos
consumidores ninguém pode se tornar sujeito sem antes se tornar mercadoria e
ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e
recarregar de maneira perpétuas as capacidades esperadas e exigidas de uma
mercadoria vendável” (pg 20). Ou seja, se você quiser ser alguém (ter um bom emprego e renda
para ser alguém) é preciso ser “vendável” no mercado...
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