6 de out de 2011

O maior legado de Steve Jobs foi sua própria reinvenção...




O maior legado de Steve Jobs foi sua própria reinvenção...

Steve Jobs sem dúvida nenhuma foi um gênio do business global contemporâneo...

Ele foi um gênio não porque deixou a sua corporação no topo do business global. Não isso pode ser conseguido com alguns números fora do lugar e algumas ações do tipo “xadrez”. Não, isso não foi o importante na vida deste cara. O que realmente admiro na genialidade deste cara é que ele começou a vida no mundo dos negócios com uma ousadia e uma arrogância sem precedentes. Eles simplesmente achava que era filho dos deuses gregos. Essa ousadia levou a Apple (uma empresa literalmente de fundo de garagem) a ser uma das maiores empresas de business do mundo. Nós podemos admirar a genialidade de Bill Gates, mas não podemos negar que Bill Gates veio de uma família extremamente estruturada, de classe média alta e  que esta deu uma baita força para o garoto iniciar-se no mundo dos negócios. Isso, de forma alguma, tira o mérito de Bill Gates, mas agora vamos dar uma olhada em Steve Jobs...

O garoto foi rejeitado pelos pais biológicos. Não me peça para usar meias palavras porque isso é o que significa ser “colocado para adoção”. Só esse fato já serviu de base para inúmeros psicólogos e psiquiatras justificarem casos de roubo, estupro, assassinato e drogas cometidos por crianças que “não tiveram um lar estruturado” ou “foram rejeitadas”. Mas, esse cara não somente superou rapidamente isso (os pais adotivos deles foram 10, segundo ele), mas ele ousou ir além disso. Ousou questionar a finalidade de sua existência. Ousou questionar a mediocridade do mundo corporativo contemporâneo (dos jovens em especial) que somente querem um terno e gravata, um cabelo engomado, um carro esportivo do ano para se tornarem “vencedores” . Jovens que se contentam em freqüentar bares badalados e beijarem uma dúzia de garotas em um dia. Não esse garoto era diferente!! Um garoto que ousou desafiar um dos maiores executivos da época com uma frase que se tornou a marca registrada de uma geração que acredita na revolução: “Você quer passar o resto de sua vida vendendo água com açúcar ou quer ter a chance de mudar o mundo?”– em entrevista a John Sculley para o livro “Odyssey: Pepsi”

Um cara que depois de ter sido endeusado como o gênio do business global antes mesmo dos 30 anos foi literalmente chutado da empresa que criara porque sua arrogância superou em muito a sua ousadia. Um cara que conviveu com o estigma de ser dirigente da “segunda melhor empresa” (a primeira sempre fora a Microsoft) e logo depois a sua expulsão da Apple com o estigma do “gênio fracasso e tomado pela loucura” tendo que viver a sombra do seu arqui-rival (não ousaria dizer arqui-inimigo, mas muitos sim) que desfrutava das capas de revistas e figurava na lista dos homens mais ricos e bem sucedidos do mundo. Esse cara viveu muito tempo sobre a sombra do rei dos Nerds: Bill Gates. Um cara que teve que assistir do lado de fora a empresa que criara se afundar na mediocridade (a qual ele tanto odiara e combatera) e despencar em sua lucratividade a ponto de ir quase a falência...

Mas, o incrível deste cara é que ele teve a capacidade de aprender com essa situação, ele teve a capacidade de se refazer no ostracismo, teve a capacidade de acreditar que ele poderia fazer diferente, que ele poderia fazer melhor. Ele teve a capacidade de olhar para Apple e acreditar que um dia ele seria grande mesmo com todas as evidências de que ela nunca chegaria ao status da Microsoft em termos de lucratividade e em termos de influência global. Esse cara viu o que ninguém viu, o que ninguém ousava ver: ele viu um futuro esplêndido para a Apple. Mas, antes de tudo ele viu que ele deveria mudar para se tornar o líder que a Apple necessitava. Ele teve a capacidade de reconhecer seus erros e assumi-los publicamente:

“Eu não percebi isso na época, mas ter sido demitido da Apple foi a melhor coisa que aconteceu comigo. (...) Foi um remédio com gosto horrível, mas acho que o paciente precisava dele”. – discurso durante entrega de diploma de Stanford, 2005

“Se eu estivesse liderando a Apple, eu apostaria tudo pelo Macintosh e depois me ocuparia com um próximo grande lançamento. A guerra do PC acabou, a Microsoft venceu há muito tempo” – Revista Fortune, 1996

Esse cara realmente acreditava que o importante não era o dinheiro, mas criar algo inovador. E para fazer algo assim ele precisava inovar a si mesmo! Chutado da própria empresa, sofrendo terríveis ataques da imprensa, sendo comparado como o lado Hyde (paródia do livro O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde) do mundo dos nerds esse cara se refez. Ele se reinventou! Ele comprou uma empresa praticamente falida e tornou em um dos maiores ícones da área de entretenimento. Ele acreditou em pessoas. Tirou caras da Disney que estavam desacreditados (tal como ele estava) e transformou esses caras rejeitados em uma das maiores equipes de criação da sociedade contemporânea. Depois de provar seu valor “fora” da Apple, voltou ovacionado a empresa. Ao invés de procurar vingança e se vangloriar ele simplesmente optou pela ousadia. Agora sem a gigantesca sombra da vaidade e da arrogância pessoal (sempre resta um pouco dela, é da natureza humana) ele somente se aplica apenas em ser ousado. O resultado disso podemos ver nas ruas do mundo todo, nas mãos dos jovens, dos velhos, das mulheres, dos ricos, dos pobres, nos números da bolsa de valores...

Não vou aplaudir Steve Jobs porque ele deixou a corporação mais lucrativa do mundo, mas vou aplaudir Jobs porque ele deixou uma das maiores lições de mudança de atitude e humildade do mundo corporativo. Vou aplaudir esse cara porque reconheço que a maior inovação que ele fez foi reinventar-se como pessoa e mostrar ao mundo que resultados não estão inquestionavelmente ligados a mercados, produtos ou estratégias, mas estão inquestionavelmente ligados a nossa própria atitude frente a esses fatores...

Faça como Steve Jobs, inove-se...

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