27 de mai. de 2008

X Semana de Geografia Palestra Professor Fabio Contel: Território e Finanças: técnicas, normas e topologia.

O estudo do território não é uma tarefa simples principalmente quando nos propomos a analisar o território através dos sistemas de ação que vem gerando sistemas de objetos técnicos interligados através de redes interligadas local, regional e globalmente. A topologia do sistema financeiro apresentada pelo professor Fabio Contel – ESPM/USP nos levou realmente a entender que objetos técnicos e sistemas de ação são realmente as formas de ocupação territorial mais eficazes do processo de estruturação global.

Vimos claramente como várias ações dos grandes bancos (sistemas de ações implementados pelo grande capital nacional e internacional visando a acumulação) realmente foram efetivados no território nacional buscando criar uma nova rede bancária em pontos fixos do território (sistemas de objetos, os objetos técnicos são as próprias agências e pontos bancários). A ação dos bancos para criar uma rede bancária nacional é bem clara e inquestionável. Os dados, os fatos e a forma sistêmica da ação forma muito bem apresentadas pelo professor Fabio Contel – ESPM/USP que nos levou a entender como o nacional e o global se sobrepõe ao regional.


A existência de bancos regionais, como bem explicitou o professor, aumentava a possibilidade de produtividade de cada região e cada local na medida em que estavam em consonância com as necessidades locais. Apesar de serem limitados a região estes bancos supriam as necessidades da região. Ninguém que more ou dependa desta “visão regional” de crédito entenderia porque trocar um Banco Regional por um Banco Nacional ou internacional. As redes (como o exemplo das redes bancárias), nos possibilitam compreender a lógica do global que cria impactos sobre a localidade. Como bem afirma Milton Santos: “as redes são incompreensíveis se apenas as enxergássemos a partir de suas manifestações locais ou regionais. Mas, estas são também indispensáveis para entender como trabalham as redes à escala do mundo” (Santos, 1995, p.215)


Neste case dado pelo professor Fabio Contel – ESPM/USP pudemos constatar como as redes (que concregregam objetos técnicos – agencias bancárias – e sistemas de ações – processo de concentração bancária para reduzir preços em escala) tem impacto na localidade. Um movimento iniciando aqui em Osasco (pelo Bradesco) ou na Coréia (HSBC) tem impactos na cidade de Cabrobó da Paraíba do Extremo Sul. Pudemos constatar, através de dados e fatos como também através de um método de análise geográfica – o que o professor Milton Santos afirmava: “as redes são um veículo de um movimento dialético que, de uma parte, opõe o Mundo ao território e ao lugar, e de outra parte, confronta o lugar ao território tomado como um todo” (Santos, 1995, p.215).

Tivemos a oportunidade de entender como os interesses de um município interiorano da Paraíba podem entrar em choque com a praça financeira globalizada da Bolsa de Londres constatando que onde a rede chega o poder globalizado também atua: “a existência de redes é inseparável da questão do poder” (Santos, 1995, p.215).

É bom que Cabrobó seja um município globalizado e que ele exista como um ponto da rede globalizada no mundo? Claro que é! Mas, para isso é necessário que Cabrobó da Paraíba do Extremo Sul seja articulada a ponto de exercer poder na rede global, pois o HSBC e o Bradesco estão articulados para isso! Esta visão tanto vale para instituições financeiras, como para Estados-Nação como empresas e pessoas. Afinal, todos nós somos chamados a participar do processo de globalização ora como objetos de um sistema ora como criadores de sistemas de ação em rede...

X Semana de Geografia: Palestra do Professor Jaime Oliva sobre Currículo de Geografia

A geografia é realmente uma matéria polêmica. Dada a sua abrangência conceitual a geografia tem o privilégio de abrigar um sem número de visões tanto sobre o objeto de seu estudo quanto em relação aos métodos de estudo. A questão de se posicionar frente as outras disciplinas é um problema, mas não é tão sério quanto a necessidade de unidade entre os próprios geógrafos que ainda se dividem em termos de geografia física e geografia humana. Estas divisões, evidentemente, tem impactos no setor educacional e nas redes de ensino sejam elas privadas ou particulares.

Em sua palestra o professor Jaime colocou com muita propriedade esta problemática conceitual e como ela tem sido motivo de controvérsia nas redes escolares. Longe de criticar a amplitude da geografia o professor ressaltou a importância da liberdade que o geógrafo tem para trabalhar os mais diversos conceitos que compõe a nossa disciplina. E de fato ele tem razão. Temos uma grande liberdade para trabalhar com conceitos como aquecimento global, meio urbano, globalização, industrialização, meio ambiente etc. Temos um volume não somente de livros didáticos a nossa disposição, mas também temos um grande conjunto de materiais disponíveis na mídia para trabalharmos estas questões em sala de aula. Independente da forma como estes assuntos são abordados pela mídia (seja superficialmente em uma Revista Veja, ou exageradamente como em uma Superinteressante) estes assuntos são trazidos a baila pela imprensa!

A palestra tomou um rumo muito dinâmico quando, em meio as questões levantadas pelos alunos, o professor Jaime adentrou na rede de ensino público, ou seja, Escola Pública! A questão realmente é polêmica! Mas, o professor se posicionou ousadamente ao contestar as “más condições de trabalho” do professor; aos “baixos salários”, “falta de estrutura” e “falta de treinamento” dos professores da rede pública. Este foi um ponto alto da palestra ao meu ver...
Estamos muito acostumados a assistir um em palestras uma verdadeira devastação da escola pública enquanto espaço público e enquanto espaço de aprendizagem. Estamos acostumados a inocentar a nós mesmos (também sou professor) e culparmos a estrutura (O Estado) e a clientela (os alunos). Estamos acostumados a afirmar que “se” e “SE” tivéssemos boas condições de trabalho realizaríamos maravilhas na Escola Pública porque POTENCIAL nós temos! Mas, o professor Jaime agiu na contramão deste pensamento majoritário ao afirmar justamente o inverso: a culpa também é nossa e as nossas condições não são tão ruins assim.

Levantando a questão salarial, tomando como exemplo ele mesmo e os alunos da UNIFIEO, ele realmente disse a realidade ao afirmar que do meio social da qual a maioria é originaria (ao qual eu também me incluo) o salário de professor não seria uma tragédia tão grande quanto muitos querem fazer crer. A estrutura das escolas também não são tão precárias assim, pois muitas contam sim com livros didáticos disponíveis e uma razoável estrutura de informática que ainda se encontra subutilizada. Os professores de geografia estão entre os poucos que não podem ser INTEIRAMENTE podados quanto a direção do conteúdo, pois a amplitude da disciplina impede que isso seja feito efetivamente pelo PODER DOMINANTE. O professor Jaime foi ousado e direto ao tomar partido de um discurso que “não agrada” a maioria dos professores que preferem continuar culpando o Estado e os alunos buscando se isentar e abster de suas responsabilidades. Também somos parte do problema na medida em que não queremos fazer parte da solução...

25 de mai. de 2008

A Geografia dos Negócios: palestra na IESCAMP

A Geografia dos Negócios: palestra na IESCAMP

Neste último dia 21 de maio de 2008 realizei uma palestra no Instituto de Educação e Ensino Superior de Campinas! A convite da faculdade fiz uma palestra sobre o impacto da Web 2.0 no mundo dos negócios sob o enfoque da geografia! Baseada nos conceitos de geografia a palestra foi realizada para o curso de Administração da referida faculdade!

É a geografia no mundo dos negócios! Cada vez mais, nós geógrafos, vamos ser chamados a falar sobre o território material e imaterial. Vamos ser chamados a falar sobre os impactos das técnicas sobre o território, mas vamos ser chamados também a falar sobre o impacto das novas tecnologias no território imaterial da internet. Ambos estão ligados e ambos são muito poderosos em termos de meios de produção e reprodução do capital!



Milton Santos já apontava para isso na década de 80 e 90 e agora estamos colhendo os frutos de sua visão geoestratégica! Precisamos nos aprofundar mais nestes temas! Isso é inédito para nós: a geografia sendo chamada a ensinar a administração a olhar sobre o território (material e imaterial)